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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Amamentação: nossa conexão

Foto do blog da Fabi Guedes
Eu já estava no meio deste post quando uma novidade entrou em pauta e de tão empolgada tive que subir aqui no topo pra contar: sexta-feira agora, dia 3, eu e Joãozinho participaremos do Paraná TV primeira edição numa entrevista sobre amamentação. Uma médica vai participar também e nós dois seremos os personagens 'amamentísticos' do programa jornalístico da RPC TV na hora do almoço.

Leu direitinho? Então... é nós na Globo! auhauhaua. Alguns amigos nos indicaram pelo face (inclusive eu mesma, a própria) e a Melina, querida amiga pauteira da sucursal, nos convidou! Muito chique né?

Claro que tô toda faceira porque vou exibir a cria ao vivo no horário nobre, mas também tô morrendo de vergonha de exibir a central de laticínios na TV, rerere. Tudo pela causa do aleitamento materno, que era, inclusive, o tema do post de hoje... voltemos a ele então!?

 (Não deixe de assistir, viu? E reze comigo para que Joãozinho se comporte). 


(Ah, gostou da foto no início do post? Foi parte da segunda sessão com a querida Fabiana Guedes no último sábado. Ela usou a imagem no blog dela e eu roubei, rere. Tô ansiosa para ver as demais)


(Ah de novo, comentário do meu companheiro de trabalho Christian Camargo: "Mesmo de dieta não perde uma mídia grátis hein?". Sem mais... kkkkk)

...***....***...
Nos primeiros dias


De sete a dez vezes por dia durante 10, 15 ou até 45 minutos... Há quatro meses eu passo bastante tempo da minha vida literalmente conectada com meu filho por esta coisa maravilhosa que se chama aleitamento materno. 

É incrível como a natureza planejou tudo tão certinho. Da noite pro dia começa a sair leite da gente e o bico do peito já está na altura adequada e no tamanho ideal, a boquinha dele vem com o formatinho que se adapta perfeitamente, a gengiva sem dentinhos facilita e o organismo chega a este mundo prontinho pra receber o alimento mais completo, nutritivo e saudável que fórmula artificial alguma consegue superar... Até a força exigida para a sucção acontecer já nasce junto e bastaram alguns minutinhos do lado de fora do meu ventre para que Joãozinho grudasse em mim, num instinto lindo.

Toda mãe que eu conheço concorda em dizer que amamentar é uma delícia. É um momento de intimidade entre mãe e bebê, um pedacinho de céu na rotina. Naquela troca de olhares, a mãe diz tudo e também compreende que é especial para aquele pequenino ser. Mas toda mãe que eu conheço também sabe o quanto amamentar significa sofrimento, principalmente no começo. Que bom que a gente esquece!

Estamos na Semana Mundial da Amamentação e aproveito o gancho para apresentar algumas considerações sobre o tema:
No primeiro mês

1) Amamentar no peito é melhor
Conforme o Ministério da Saúde, o leite materno evita mortes infantis, diarreia e infecção respiratória; diminui o risco de alergias, de hipertensão, colesterol alto e diabetes; reduz a chance de obesidade; implica em melhor nutrição; traz efeito positivo na inteligência; melhora o desenvolvimento da cavidade bucal; protege contra câncer de mama; ajuda a evitar nova gravidez; é mais barato; promove o vínculo afetivo entre mãe e filho e significa, resumindo, mais qualidade de vida. Tá tudo aqui, no Caderno sobre Nutrição Infantil.

Nem preciso elencar mais motivos para reafirmar vantagens do aleitamento materno sobre a fórmula né? Mas entendo que algumas mães (poucas) realmente não podem amamentar, como as soropositivas e as que tiveram algum outro problema de saúde que impediu a produção de leite. E lamento que muitas outras deixaram de amamentar por falta de alguém ao lado incentivando e apresentando dicas para superar as dificuldades iniciais. 

Às vezes falta força de vontade da mãe e no meio daquela agitação angustiante dos primeiros dias do bebê, é compreensível que a mãe, especialmente a de primeira viagem, fique amedrontada e taque logo a fórmula na criança. Por isso estou aqui para dizer: persista, persevere, aguente a dor mais um pouquinho, o incômodo logo vai passar. 

2) Dói
Dói mesmo. Eu ainda estava anestesiada quando recebi meu Joãozinho para sua primeira mamada e não senti que ele estava com a pega errada (veja aqui dicas sobre pega). Machucou já de primeira e a dor só veio depois. Fiquei super agoniada porque o leite não descia e me lembro até da cunhada e da sogra orarem sobre a gente para que o colostro descesse. Demorou. E até o dia seguinte, quando as gotinhas começaram a sair, meu pequeno sugou o quanto conseguiu e chorou muito, de fome, tadinho.

Apesar disso, no terceiro dia eu parecia uma vaquinha da Castrolanda produzinho leite de montão (mô-mô-mô-mó), com as ubres os peitos enormes e uma boquinha afoita pedindo por eles o tempo todo. Uma ferida no bico da mama me fez ver estrelinhas dali até o 15° dia, até que meu pequeno bezerrinho descobriu o jeito certo de sugar e as coisas foram melhorando.

Não usei pomadas, por opção. Apenas passava o próprio leite na auréola a cada mamada e tomava 15 minutinhos de sol neles toda manhã.

3) Silicone ajuda
Não, não tô falando da prótese de silicone. Não sei como é amamentar com este plasticão por dentro. Refiro-me ao intermediário, um biquinho de silicone que se compra em farmácia para ajudar nos primeiros dias. Eu usei muito para evitar que a mordida do bebê machucasse ainda mais e foi ótimo.

4) A quantidade logo se acerta
No primeiro mês eu poderia participar de tiro ao alvo com o leite que chegava a espirrar de mim. A produção era tanta que precisei usar conchas de plástico para segurar um pouco do excesso e mesmo assim, foram muitos banhos na madrugada. Também usei o ordenhador manual para tirar um pouco antes de cada mamada, assim facilitava a pega pro pequeno, que às vezes não conseguia fazer o vácuo porque o peito tava demais de inchado.

Mas a natureza é sábia e logo meu corpo entendeu que Joãozinho tinha apenas três quilos e não era uma mini-orca sedenta. Com o tempo passei a usar somente os absorventes para seios e agora nem isso é preciso. O leite desce na quantidade certinha e não vaza mais.

5) O útero contrai
É uma sensação bem diferente. Nas primeiras mamadas dá para sentir o útero contraindo, uma cólica. Nosso corpo muito inteligente trata de aproveitar o momento para botar os hormônios para trabalhar no sentido de fazer a gente ser de novo o que a gente era antes daquele serzinho entrar lá. Para a mãe que amamenta, a recuperação é bem mais rápida.

6) Emagrece
Oba!!! E que bom que amamentar ajuda a recuperar a forma, porque se não fosse isso eu poderia estar uns dez quilos maior agora, rere. Já perdi 13, faltam três e tenho fé... Vou continuar amamentando. Outra coisa boa é que amamentar não deixa engordar. Mesmo tendo estabilizado neste peso acima do que era o meu (é que eu engordei demais), posso comer à vontade, de montão mesmo, que não engordo agora. Resumindo: paraíso astral-gastronômico.

7) O leite desce
No começo ele mamava a cada duas horas por quarenta minutos, então não dava tempo de sentir o leite descer. Agora, passadas exatamente três horas da última mamada, vem aquela sensação de peito cheio, uma pressão no bico e o chorinho do Joãozinho. Posso estar a quilômetros de distância que sei que ele está acordando com fome porque sinto o leite descer. Ô mãe natureza, que perfeição hein?

Ah, lembrei que eu às vezes acordava meu baby quando se passavam duas horas, nas duas primeiras semanas. Orientação das enfermeiras da maternidade. Segundo elas, ele poderia pegar num soninho pesado e esquecer do mamá de modo que a gligose baixa e o sono aumenta... Mas quase nem precisava, porque ele sempre foi um reloginho despertador.

E olha como ele tá grandão

8) A noite é uma criança. Com fome!
Sim, amamentar no peito requer paciência, perseverança, força de vontade, determinação. Afinal, durante um bom tempo a mãe não saberá o que significam horas consecutivas de sono. Eu até tive duas noites quase inteiras, quando Joãozinho resolveu dormir mais. Só que nos últimos tempos ele voltou à rotina das mamadas a cada três horas, faça lua ou faça sol, e isto implica em levantar duas ou três vezes toda noite. Mesmo assim, vale a pena! É só por um período da minha vida e vai fazer diferença na vida dele todinha né? Quem dá mamadeira pode dormir mais, porque o leite de fórmula é absorvido mais lentamente e a saciedade dura mais.

9) Não existe leite fraco
Eu caí em tentação (confesso) e deixei passar pelo tico-e-teco que meu leite era fraco. Besteira. Os pediatras têm razão: o leite de cada mãe é forte o suficiente para cada filho. E a criança sabe o quanto é suficiente. Às vezes o bebê é que suga mais devagar e precisa de mais tempo para mamar.

10) Eles ficam mais rápidos
 Se no início eram 20 minutos em cada peito toda vez que mamava, agora Joãozinho é um azogue e fecha a conta e passa a régua até em cinco minutos. Ufa, obrigada Senhor!

11) O amor aumenta
Quando o filho mama no peito, só a mãe resolve a questão. Não dá simplesmente para entregar o pequeno pra outra pessoa, porque ninguém mais dá jeito no chororô quando o assunto é fome. E isso nos torna imprescindíveis, pessoas especiais (às vezes cansa, claro). Nos minutinhos que passamos conectados, ele me olha nos olhos, aperta o peito com as mãozinhas, apresenta um novo gemidinho e dá uma espreguiçada tão fofinha que faz a gente se apaixonar sempre mais. E aquela carinha de êxtase quando mama e faz cocô ao mesmo tempo? Coisa mais linda.

É nesse tempo que passamos juntos que descubro suas novas habilidades e até a gargalhada que apareceu agora. Por mais correria que seja o dia-a-dia, parar para amamentar é uma delícia.

Do blog Memezinho da Mamãe

12) É preciso paciência
Eu era ligada no 220 e vivia correndo, com pressa, querendo dar conta de tudo num só dia. A amamentação foi praticamente meu tratamento de choque. Tive que aprender a deixar tuuuuudo pra depois e sentar e esperar que meu piercing de peito sacie sua fome. Não importa se tenho horário pra cumprir, se o almoço tá na mesa, se o banho tava gostoso, se tem alguém conversando comigo no bate-papo. Chorou, chamou, lá vou eu... Tem horas que amamento com o pensamento longe, sem nem olhar pro rostinho do bezerrinho direito, relacionando mentalmente as mil atividades que me aguardam a seguir. Muitas vezes aproveito o tempinho do mamá para ver notícias na TV e na internet, ler o blog das amigas pelo celular e até já escrevi um post aqui com ele penduradinho, acomodado num travesseiro, toda torta e digitando bem devagar, catando milho com a mão que fica livre, rere.

13) Tenho medo do desmame
Quando a hora do "adeus peitucos da mami" chegar, quero estar longe, rere. Não vai ser fácil. Adoro a ideia de que ele depende de mim pra viver (egoístaaaa, eu sei). E acho maravilhoso poder amamentar. Agradeço a Deus todo dia por ter leite. Na verdade, pula este tópico porque não quero pensar nisso ainda.

14) Relactação: tiro meu chapéu pra quem tentou
Uma querida amiga viu seu leite reduzir aos dois meses e fez de um tudo para continuar amamentando. A Juliana foi uma super mãe ao tentar esta técnica de relactação, com uma sonda aplicada à mamadeira ao lado do bico do peito para que o Pedrinho estimulasse ainda a produção. Bacana demais a atitude dela né?  Tem tudo explicadinho aqui.

Do blog Memezinho da Mamãe


15) Aprendi a ficar nua
Logo de cara a gente fica quase peladona, horrorosa com aquela camisola azul de maternidade, na frente de todo mundo que acompanha o momento da chegada do bebê. Aí você tenta se esconder, usa fraldinhas para cobrir o peito nas primeiras mamadas e na dificuldade para administrar a dor, a falta de experiência com a coisa, deixa cair e mostra tudo do mesmo jeito. Compra sutiã apropriado para mostrar o mínimo possível e fica um pouco envergonhada quando precisa amamentar em locais públicos. Passado um mês, eles deixam de fazer parte do que você considerava sensualidade em seu corpo e colocar os 'peitão' pra fora na frente de todo mundo passa a ser naturalíssimo. E dane-se quem se incomoda! Que vire o rosto né? rere.

16) É mais prático
Não precisa esquentar nem se preocupar em higienizar a mamadeira. A qualquer hora do dia ele está ali, prontinho, na temperatura ideal, na quantidade suficiente, sem fazer sujeira e sem contaminações. Amamentar no peito é super prático e me livra de andar por aí com uma bolsa cheia de preparativos. A adaptação também é mais fácil e as cólicas, dizem, são menores.

17) É de graça
Para amamentar no peito só é preciso tomar muita água e comer direitinho. Tem leite que custa R$ 30 a lata, que dura quatro dias. Neste caso, já deixei de gastar uns R$ 900. Beleza né?

As vantagens são ad eternum, mas se não deu, paciência. Com uma mamadeirinha bem gostosa e muito amor de mãe, todo bebê pode viver feliz e crescer forte e saudável.O importanjte é tentar.


Para fechar, ficam mais alguns bons motivos para amamentar no peito:



E os vídeos do dia são promocionais da Campanha do Ministério da Saúde pela amamentação no peito.
Com direito à Vanessa Camargo e Juliana Paes Cravo e Canela.

 



10 comentários:

  1. Muito bom o teu post,amamentar é tudo de bom,além de amamentar fui doadora de tbm,minha filha mamou até 2 anos e 7 meses,e largou sozinha,ela sabia o momento de parar.Teu beby é muito lindo.
    bjs
    #amigacomenta

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    1. Que linda você ter doado leite. É mais um gesto lindo de amor. Obrigada pela visitinha Sil! Beijoooooo

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  2. Oi Manu querida, que lindo seu post e que benção ter a graça de amamentar! Vou esperar ansiosamente a matéria na tv... hehehe... a globo cobrindo do casório à amamentação! Obrigada por me citar, realmente fiz de td para amamentar, mas a redução da mama me impediu (não queria ser outra Fafá de Belém, hehe). Mas pelo menos pude sentir um pouco do que vc sente e realmente é maravilhoso! Que Deus abençoe vcs, Manu! Beijaooo

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    1. Você foi muito guerreira Juuuuu. Saudades. Tô esperando vocês aqui. beijãoooo

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  3. Amamentar é maravilhoso, mas tenho cá comigo que essas campanhas são muito superficiais, não falam da dificuldade que é, das dores (como vc mesmo disse) e acabam desestimulando. eu mesma, q cheguei a fazer relactação, lutei muito pra consegui - olha, foi uma batalha. Então talvez o direcionamento deveria ser diferente, né?
    O importante pra mim é que a mãe tenha apoio e se sinta segura, o resto a natureza se encarrega...
    um beijo

    Carol
    www.ninaensina.com.br
    @ninaensina
    #amigacomenta

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    1. Tem toda razão Carol. Você foi guerreira de fazer a relactação. Poucas têm tanta perseverança. Beijo querida. Volte sempre.

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  4. É isso, amamentar faz parte da maternidade (ou deveria fazer) tem suas dores mas os prazeres são indescritíveis, né?

    Bjoo!

    Loreta #amigacomenta;)
    @bagagemdemae

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    1. O sacrifício vale super a pena e depois se transforma numa grande satisfação né? Volte sempre Lô! Beijo

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  5. Que delícia!! Eu sinto a maior saudade desta fase!!

    Beijos
    Tati
    Mulher e Mãe
    #amigacomenta

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    1. Tenho a impressão de que sentirei também Thaty! rerere. beijoooo

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