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terça-feira, 24 de abril de 2012

A nova rotina e os truques da mamãe

Com 10 dias

Com 18 dias
Família em adaptação

 
Ele cresce feito abobrinha. De um dia para o outro já vejo um novo bebê dentro de casa. Agora bem mais fortinho, com bochechas rechonchudas, perninhas com dobrinhas e uma barriguinha linda de viver. Mas ainda é uma delícia ter ele no colo, não canso nunca.

Bem... na verdade... preciso admitir: canso sim! Não do colo, mas da maratona toda. Ando bem cansadinha (e bem feliz também). Meu lindo já tem 21 dias e esse período foi de reconhecimento e adaptação. Estou aprendendo sobre o que ele gosta e o que não gosta, quanto tempo leva em cada etapa (dormindo, acordado, mamando, fazendo manha) e tentando estabelecer uma rotina. Não que eu consiga... a rotina é ele quem determina e eu só entro na onda, rerere.

Sete horas por dia desse jeitinho aqui

No geral, meu filhote é super comportado. Em média, mama duas vezes de manhã, duas à tarde e três à noite. Às vezes mais. São 20 minutos em cada peito, mais intervalinho de arroto e mais a troca de fraldas: uma hora cheinha totalmente à disposição dele a cada mamada. Eu não tinha noção de que era tudo isso. Achava que era só pôr no peito e dar de mamar, sem imaginar quanto tempo isso durava. Passo pelo menos sete horas do dia com ele no colo e sem direito a fazer mais nada. Que queime a panela no fogão, que toque o telefone, que a roupa seque dentro da máquina, ou que molhe com a chuva no varal, que os dentes só sejam escovados depois, que o cabelo fique sem condicionador... Nada mais que o momentinho dele é prioridade na vida.

Por isso o tempo para aparecer por aqui quase não existe. Aproveito as terças-feiras porque é o dia que a Joana, minha nova auxiliar, vem faxinar pra mim. Nos outros dias, além do baby, tenho os afazeres domésticos e a preparação de quitutes para esperar as visitinhas. Tenho curtido ficar na cozinha, nas horas vagas. E tenho assistido muita coisa na TV também. Tento amamentar sempre no sofá da sala porque além de ser melhor pra postura também me força a ficar acordada. De madrugada pode ser um perigo dar o peito na cama. Tenho pavor da ideia de sufocá-lo.

Pelas madrugadas afora quase concluí um técnico no Telecurso 2000 até que assinamos TV e agora tenho uma porção de documentários, filminhos, séries e noticiários para assistir enquanto meu bezerrinho suga e suga. Amei um programa da GNT e recomendo! Chama-se 'Boas Vindas' e é sobre histórias de amor contempladas com a vinda de um bebê. Bem lindo! Está disponível no site do canal.

Agora, quanto à canseira, ela vem principalmente na madrugada. Já tinham me avisado e agora sei na prática o que significa ir dormir à meia-noite e levantar da cama as três da matina para passar uma hora todinha amamentando. Dá um sonão!!! Depois acordar as sete da manhã e não ter mais tempo para dormir. Raramente (acho que duas vezes apenas) consigo tirar um cochilo durante o dia. Seria formidável. Até para estar com uma carinha mais arrumadinha pro meu filho né?

Já ele dorme a maior parte do tempo, inclusive enquanto mama. Parece que foi picado pelo mosquito Tsé-tsé, riririri. Quando acorda é para pedir seu leitinho ou resmungar de dor de barriga. Felizmente não teve cólicas fortes, porém fazer cocô nem sempre é tranquilo pro meu picorrucho. Sempre tem uns dez minutinhos de manha quando precisa aliviar os punzinhos. E dá-lhe dimeticona em gotinhas na boquinha para ajudar. A careta que ele faz quando dou o remédio é liiiiiiiiiiiiinda demais. Ele detesta, cospe, faz bico e recomeça seu chorinho.

Detesto remédio!

"Ai ai ai"

Ah os chorinhos... São vários! Um para cada situação. O da dorzinha de barriga é o mais lindinho. Ele solta sonoros "ai ai ais". Parece gente grande, muito engraçadinho com sua sinfonia de ai ai ai, ai ai ai. Já quando a dor aperta mais, vêm os berros que me tiram a razão. Choro junto. Tento ninar forçando a chupeta na boca, viro de bruços, faço massagem com óleo e se nada mais resolver, taco no peito. É o momento sofrimento da mamãe porque quando ele está nervosinho mastiga o bico da mama. Dói muuuuuuuuuuuuito.

Outra estratégia é a ginástica. João pai já ficou craque na bicicletinha. Coloca o pequeno deitadinho e faz movimentos com as perninhas dele para ajudar a evacuar. Tudo com uma linda trilha sonora que nosso filho parece gostar. É mais ou menos assim: "Ela sai di saia, di bixiquetinha, uma mão vai no guidão, a ota tapa a calxinha". Juro! E pensar que passei nove meses separando músicas de ninar lindíssimas pro nosso filho, auhauauhauha.

Mas essa dor forte não é frequente. Acontece mais quando ele passa muito tempo acordado por conta do movimento. Finais de semana, quando temos mais visitas, por exemplo. O resto do tempo é um príncipe lindo e educado que faz tudo na horinha certa. Até o cocozinho é lindo. De um amarelo forte, com bolinhas e cheirinho doce. Bem como deve ser.

Vinte dias

Pediatra

O umbigo caiu no sétimo dia após o nascimento e depois sangrou um pouquinho. Fiquei assustada, mas a médica garantiu que é normal. Não será preciso cauterizar com nitrato de prata. Por falar em médica, preciso contar das nossas consultas. Tentamos marcar com a doutora Tyoko, super conhecida aqui. Mas ela não tinha horário e a primeira consulta deve ser feita antes do 10º dia, então optamos pelo doutor Marlus, da Clínica Infantus. Foi engraçado.

A gente ainda estava naquela primeira semana quando tudo é novidade demais e a insegurança é enorme. Super medrosos com tudo. Eu até que me virava bem, mas o João me questionava o tempo todo. "É assim mesmo? Pode dar banho depois de mamar? Mas não precisa passar pomada na bundinha? Chupeta não deixa os dentes tortos? E essa cabecinha mole assim é normal?", e assim por diante. Aí eu ficava em dúvida também.

Sentamos na frente do médico e ele teve a infeliz ideia de perguntar se tínhamos alguma dúvida. "Duzentas", respondi, tirando da bolsa o bloquinho de onde vieram (não duzentas, mas) umas trinta perguntas bem bobinhas do tipo "posso deixar ele dormindo de ladinho?" ou "quantas vezes por dia devemos trocar as fraldas?". Micão, king-kong total.

O médico se inclinou para trás na cadeira e foi respondendo uma a uma, com cara de quem não acreditava no que ouvia, auhauha. Pode sentir vergonha alheia, eu deixo! Mas aguarde quando chegar a sua vez, rarara. A gente fica bem piradinho e todo mundo dá tanto pitaco que a gente não sabe no que acreditar. Até que o médico teve paciência.

Das coisas que ouvi, o que mais gostei foi que eu deveria comer de tudo. "Continue se alimentando bem, como na gestação", disse ele me garantindo que nada faria mal pro bebê. Saí de lá direto pra tortinha de banana do MacDonalds. U-hu!

Mas tivemos uma ressalva: 'Observe o que você come. Se um dia comer feijão e ele tiver cólica, no outro não coma feijão. Se a dor persistir, é outra coisa que você comeu. No terceiro dia você saberá". Ô, querido, não dá pra passar um cardápio aí não? Você quer que meu filho sofra três dias até eu descobrir o que faz mal?

Pior que é bem assim mesmo. Cada criança reage de um jeito diferente e vou ter que descobrir aos poucos o que faz mal pra minha criancinha. Parte triste da história: descobri que chocolate faz mal pro leite do Joãozinho! :-(


Tirando a sessão 'perguntas idiotas' pro médico, a consulta seguiu com exame dos olhinhos, medição, peso... E ele cresceu. No nono dia já tinha 3.240 kg (Nasceu com 2.950 kg e saiu do hospital com 200 g a menos). Sexta passada, 18º dia, já eram 3.640 kg e 53 cm. Ele aumentou quase um quilo e seis centímetros em 18 dias!!! Tem fermento no leite.

Ia tudo muito bem até o João perguntar para qual telefone poderíamos ligar para consultá-lo em caso de emergência. Eu posso imaginar o que se passou na cabeça do médico para que ele respondesse que deveríamos consultar nosso convênio e sempre ligar no Hospital Geral Unimed, onde há pediatras de plantão 24 horas por dia. Hein??? O doutor não vai nos atender se a gente estiver precisando? Poxa, poxa... perdeu o cliente (ou ele ganhou de não nos ter como clientes, rerere). 

Persistimos então com a doutora japoneusa. E finalmente ela pôde nos atender. Fui cheia de dedos porque ouvi dizer que ela é super séria, que cobra bastante dos pais e fala "umas verdades bem na fuça" quando os pais merecem bronca. Mas que nada... Ela foi um doce, super atenciosa, examinou nosso bebezinho dos pés à cabeça, tocou nele com carinho e esclareceu calmamente, com um sorriso no rosto, nossas dúvidas - bem poucas agora, afinal já são duas semanas e a gente ficou mais experiente, rerere. Ah, no final ela nos passou os telefones para contato em caso de urgência. Ganhou! A próxima consulta é dia 25 de maio.

Nesse intervalo levamos ele ao postinho para aplicar a vacina BCG (contra a tuberculose). Tadinho, chorou, claro. Mas não teve efeito colateral e segundo a médica, em 30 dias vai aparecer uma bolha, que vai inflamar no bracinho e depois formar ferida. Essa casquinha deixa a famosa cicatriz que todos temos no braço direito. Se não fizer a cicatriz, é preciso aplicar de novo. Lá vem mais 'ai ai ais' por aí. Veja calendário de vacinação

O interessante é que cada médico orienta de um jeito diferente. Tentei extrair dos dois os conselhos que funcionaram com a gente e pronto. A doutora também me mandou comer de tudo. Fui firme numa salada de brócolis e quem disse que meu piazinho conseguia dormir depois? Enfim, tô comendo geral, mas evitando alguns alimentos que já vi que não funcionam bem: café, chocolate, feijão, verduras (folhas verdes), refrigerantes e sucos artificiais. De resto, mando ver mesmo! Ainda mais que amamentar dá uma fomeeee.

Kit bebê

Álcool 70, talco líquido, Rinosoro, absorventes de seios, pomada antiassaduras, Tylenol, Espasmo Flatol, termômetro e adesivos em gel Mamare

O doutor mandou passar pomadinha para prevenir assadura, a doutora mandou usar óleo de girassol (aquele de cozinha mesmo) e maisena. Eu intercalo os dois para não contrariar ninguém. Ele mandou dar banho de sol todo dia e eu vinha dando até que ela me alertou sobre o perigo de câncer de pele e me recomendou fugir com ele pra sombra. Receitou vitamina D. Ambos receitaram paracetamol infantil (Tylenol) pra caso de dor e febre e dimeticona (EspasmoFlatol) para gases. Ele ainda receitou Rinosoro para descongestionar o nariz, talco líquido para as bolinhas que aparecem pelo corpo, óleo hidratante (o bebê descama totalmente na primeira semana, os cabelos caem e as unhas crescem muito rápido) e supositório de glicerina se ele ficar três dias sem defecar. Fico pensando que este coquetel nas mãos de uma mãe meio desorientada pode ser uma bomba...


E a mamãe...



E assim vão se passando meus dias como mãe de primeira viagem. Com o sono atrapalhado, mas cumprindo com determinação minhas funçõezinhas. Mesmo quando durmo, sonho com o bebê e outro dia até levantei com o maior cuidado do mundo carregando o travesseiro como se fosse o Joãozinho. João pai rolava de dar risada.

Quanto ao meu corpo, está aos poucos voltando ao normal. Ainda preciso perder uns cinco ou seis quilos e fazer essa barriguinha sumir. Mas já estou no lucro por não ter estrias e por enquanto permaneço de cinta compressora. Ah! É importante meninas: pode ser que seu obstetra diga para não usar a cinta... O meu disse... mas a gente se sente outra pessoa com ela. Pode acreditar. No baby center há os prós e contras da cinta. Na minha experiência, só prós. Além de afinar a silhueta (aumentar a autoestima), ela traz mais conforto e segurança. Quando vim de carro pra casa, de Castro para PG, sem cinta, achei que meus órgãos todos iam saltar do meu corpo, de tão molinha que eu estava. Tava tudo solto lá dentro e a sensação é horrorosa. Com a cinta, a impressão de malemolência da coisa toda é menor.

Quanto ao sangramento pós-parto, não é nada daquilo que eu estava esperando. Fui toda previnida e comprei pacotes de absorvente noturno, quase cheguei a comprar daqueles absorventes pós-operatórios na farmácia... Bobagem! Nos dois primeiros dias o sangramento é como uma menstruação. Depois disso, bem pouquinho. Tá durando bastante, aparece até agora, mas tão pouquinho que o absorvente diário, daquele bem pequenininho, dá conta. Disse a enfermeira que o médico usa um equipamento de sucção no útero depois da cesária e deixa tudo 'limpinho' lá por dentro. Deve ser isso.

Kit mamá: Conchas, sugador, biquinho de silicone, chupeta e dimeticona

Já as mamas precisam de cuidados especiais. Como contei anteriormente, meu terneirinho aqui, apesar de ter um bocão enorme, adora fazer biquinho e mamar apertado, mastigando o mamilo. Ele ainda não aprendeu a fazer a pegada ideal, quando o mamilo vai lá no céu da boca e os lábios acomodam quase toda a auréola (veja post sobre isso no baby center). A pega errada machuca e muito. O melhor remédio é tomar 15 minutinhos de sol toda manhã. Cicatriza muito rápido. Como a maioria das pomadas indicadas têm antibiótico e eu não quero passar isso pro meu filho, optei por usar um adesivo de gel que o obstetra indicou. Chama Mamare e é importado (quase R$ 60 o par, mas até que dura). Quando grudo aquilo no peito sinto de imediato uma sensação de 'refrescância'.

Para amamentar quando está muito dolorido, sigo a dica das enfermeiras da maternidade: uso o intermediário, um biquinho de silicone que protege o mamilo. Muito útil. Custou R$ 11.

Agora a produção de leite está mais controlada e já posso arriscar sair por aí sem levar outra roupa para trocar. Nos primeiros dias, quando o leite desce valendo, é tanto que a gente passa o dia azeda e acorda lavada à noite. Ajuda usar as conchas de plástico com reservatório. Além de manterem os bicos dos peitos úmidos e longe do contato com o sutiã, também esgotam as mamas e não deixam o leite empedrar. Tem em promoção na Fleming por R$ 15 o par. O problema é como esvaziar a concha enquanto se está amamentando. Eu adotei um pote (tuperware mesmo) ao meu lado. Ajudou e muito.

Ainda nos primeiros dias me vi obrigada a esgotar as mamas algumas vezes no dia para não ficar com os seios muito doloridos. Usei um esgotador simples, de plástico, manual, que custou só R$ 9. Na segunda semana já não precisava mais. Agora, para sair, uso absorventes descartáveis para seios. Coisa de R$ 10 a caixinha.
Almofada abençoada

Outra praticidade enorme na amamentação é a almofada apropriada para isso. Ganhei da comadre Dani e é uma maravilha. Em formato de lua crescente, ela encaixa sob o bebê e me permite repousar os braços, diminuindo o esforço e a tensão. Para finalizar, uma chupeta ortodôntica da Kuka, presente da comadre Rapha, nas horas de "ai ai ai" mais intenso. Senão o peito vira chupeta viu? Mas João Augusto, felizmente, não é o maior fã do bico e só pega pra se acalmar antes de dormir.


Chuá, chuá!!!


O banho é o momento mais gostoso do dia. Tão bom que as vezes dou dois num só dia. Ele adoooooooooora a água, fica com o olhão aberto, mexendo as perninhas e relaxa inteirinho. Para de chorar na hora seja qual tenha sido o motivo do berreiro. Volta a chorar quando tiro da água. Mas depois dorme como um anjinho. Por orientação da sogra, coloco um pouquinho de sal na água (uma pitadinha, não é pra virar banho de mar) e, de vez em quando, um saquinho de chá de camomila ou erva cidreira na banheira - dica da minha mãe.

O que ajuda e muito no banho é a redinha, aquele suporte pro corpinho do bebê. É uma beleza. A gente fica bem mais segura e o bebê bem mais relaxado. Foi presente da dinda Rapha também. A banheira com os pés, na altura apropriada, é uma bênção também (presente da tia Day). Já a tartaruguinha que você vê no vídeo é um termômetro especial para banheiras (R$ 12) e é bem bacana, porque nos primeiros banhos eu tinha receio de queimar o piá. O ideal é 38°.

Termômetro para banheira

Dorme neném

Miniberço

E finalmente, para o soninho, meu utensílio predileto nos cuidados com o João Augusto é o miniberço. Fez sucesso aqui viu? À noite coloco grudadinho na minha cama e posso cuidar dele de pertinho. Durante o dia, o bercinho que tem rodinhas vai para onde eu estiver. Se vou pro banho, coloco ele na porta do banheiro e posso ouvi-lo chorar. Agora mesmo ele está aqui do meu ladinho, enquanto escrevo. Além de tudo, é um charme. Super bonitinho.

O berço grande do bebê, que depois vira minicama, por enquanto funciona como trocador. Sobre isso é importante dizer que das fraldas que testei, a da Pampers ainda é a melhor mesmo. Não é a toa que é mais cara. Lenço umidecido só uso quando a gente sai de casa. No dia a dia, o melhor é algodão umidecido em água morna para limpar o bumbunzinho. Ainda passo álcool 70 no umbiguinho para limpeza.

Enfim... todas essas novidades agora fazem parte do meu cotidiano e eu adoro aprender a utilizá-las. Aos poucos estou entrando no ritmo do bebê e logo logo ficarei ninja nessas coisas, vocês vão ver. Por hoje já falei muito né? Espero poder voltar na próxima terça, ou até antes, se eu conseguir. Pretendo trazer as fotos de todas as visitinhas que nos honraram com sua presença. Em especial da bisavó Francisca, que tem 93 anos e há nove não saía de casa. Veio de Curitiba aqui só para conhecer este príncipe lindo e maravilhoso, que acaba de acordar e já vai começar com  a sessão ai ai ai.

Beijo meninos e meninas. E obrigada pelo carinho de todos nos comentários aqui e no face. É sempre uma delícia!!!









Só mais um pouquinho, pu favô!!!

terça-feira, 17 de abril de 2012

João Augusto chegou!


Eu já era feliz, já tinha vivido muitos momentos de felicidade intensa, mas ainda não tinha ideia do que seria sentir aquilo tudo que fez meu coração ficar pequeno no dia 2 de abril. Aquele momento, que dura tão pouco e parece uma eternidade, jamais sairá da minha memória e por muito tempo a lembrança daqueles segundinhos em que ouvi sua voz e pude olhar nos seus olhinhos pela primeira vez me fará sentir um arrepio gostoso, um calorzinho no peito, a mesma vontade de tê-lo em meus braços. Os 40 minutos na sala de cirurgia passaram voando mas continuarão para sempre em mim... Estive no paraíso e trouxe uma parte dele comigo. O nascimento do nosso filho João Augusto foi, é, o instante divino que muda definitivamente a minha vida e a do papai.

O sentimento é tão forte que a mistura de alegria e ansiedade me transportaram para um outro lugar no mundo. Já não era eu ali, deitada de camisola azul e touca na cabeça. Por alguns instantes eu não tinha mais a noção de que sala era aquela e quem eram aquelas pessoas. Durante todo o tempo, meu pensamento foi longe e eu só conseguia orar baixinho, conversar com meu filho em pensamento e chorar de felicidade. Ainda agora choro assim só de contemplar a carinha dele e me dar conta do tamanho do milagre que ele representa.

A primeira coisa que fiz quando saí do centro cirúrgico foi agradecer à vida, a Deus e à Nossa Senhora do Bom Parto, cuja imagenzinha esteve o tempo todo sobre um armário, olhando para nós. Agradeci por estar viva e ter a enorme bênção de experimentar o sentimento mais forte de todos: um amor tão grande que transborda em lágrimas e até em leite. Deve ser por isso que mãe amamenta né? Porque o amor é tão imenso que precisa jorrar pelo peito.

Queridas amigas que estão comigo nesta jornada mágica da minha vida... vocês precisam saber que não há nada, nadica de nada no mundo, que se compare ou que consiga explicar exatamente como a gente se sente naquele momento. A impressão que tenho até agora é que nada mais importa no mundo. Quem eu era? Já não lembro. As notícias do dia não fazem a menor diferença agora. O trabalho acho que nem sei mais o que significava para mim. A rotina não importa mais. As únicas coisas importantes do meu dia a dia, desde então, são alimentar e proteger meu filho do melhor jeito que eu conseguir. Só penso em leite, arrotinho, fraldas, banho e em proporcionar o soninho dos anjos para o meu anjo.

Minha vida mudou. Nossa vida mudou. Eu e meu marido deixamos para trás quem éramos e nos transformamos em novas pessoas. Nasceram, com João Augusto, um pai e uma mãe preenchidos de um amor incondicional, infinito, insolúvel, incrível. Uma nova vida está entre nós. Nós temos uma nova vida. Muito, infinitamente mais feliz!

Precisa dizer alguma coisa?
Anjinho do olho azulado

Como foi

Chegamos à 40ª semana de gestação e nada de Joãozinho dar pinta, lembram? (veja post sobre a espera). Marcamos então a cesária para a noite de segunda-feira, 2 de abril, mas eu continuava na torcida para que meu bebê chegasse à luz de parto natural. O final de semana chegou e eu estava muito disposta. Mais uma vez faxinei a casa e deixei tudo novamente preparado para receber nosso pequeno. Eu estava agitada, bem do jeito que descrevem outras mães às vésperas de parir. O tal instinto de preparar o ninho.

Domingo, dia 1, fomos almoçar na casa da sogra e por recomendação dela, comi uma penca de uva para ajudar a 'destravar' meu intestino, que andava preguiçoso. Duas da tarde comecei a sentir dor de barriga. Duas e quinze lá estava ela de novo. Duas e meia... Duas e quarenta e cinco. "Opa. Peraí! Essa dor de barriga não me leva ao banheiro mas se repete a cada quinze minutos... Não deve ser... Pelo que li, dor de parto é bem mais forte".

Voltamos para casa e a dor de barriga deu uma trégua. À noite ela voltou e sempre do mesmo jeito. Uma contraçãozinha no alto da barriga por 30 segundos a cada 15 minutos. A uva estaria fazendo efeito? O sono não veio, a adrenalina já corria pelas veias e a mamãe aqui ficou de plantão, contando as dores, anotando num bloquinho quanto tempo elas duravam, qual o tempo do intervalo e se eram fortes, fracas ou moderadas. À uma da manhã senti a bolsa romper. Senti e duvidei (mais uma vez). Por mais que os sintomas estivessem presentes, eu demorava a acreditar porque esperava que eles viessem mais contundentes.

Foi só um pouquinho de líquido e fiquei aguardando a enxurrada... que não veio. Eu tossia para ver se saía mais e comentava com o João. "É ou não é?". Tentei dormir, nada. Só lá pelas três da madrugada é que vi sair o tampão mucoso, aquele liquidozinho ensanguentado. Aí eu tive certeza. Pus-me a arrumar os últimos detalhes para ir à maternidade. Fiz minha mala, tomei banho, sequei e alisei o cabelo, revisei a malinha do pequeno, pesquisei no livro sobre os sintomas do parto e novamente tentei dormir. Não deu. As contrações passaram a acontecer a cada dez minutos e mais fortes. Depois sete minutos. Eu anotava cada uma.

Quando o relógio marcou seis horas acordei o João e liguei pro médico. Colocamos as coisas no carro e saímos rumo a Castro. Dr. me atendeu no hospital e antes das sete da manhã as contrações já eram de cinco em cinco minutos, fortes, mas não insuportáveis. Não cheguei a sentir as dores fortes. Até ali eram como cólicas menstruais bem mais intensas e com duração de um minuto. Era um minuto de respiração trancada, uma careta na cara e felicidade pela sensação de que teríamos um parto normal. Eu sabia que ele estava chegando, que Joãozinho queria sair, queria vir ao mundo, que ele havia escolhido a data e não eu.

A viagem, a espera, esses momentos que antecederam a consulta foram de fortes emoções para mim. Vendo o sol nascer nos campos do caminho, relembrei cada etapa da gestação. A descoberta, os primeiros sinais, quando ouvimos pela primeira vez seu coração bater, nosso casamento e a lua de mel, as consultas e as fotos de ultrassom, quando descobrimos que era um piazinho, quando senti se mexer pela primeira vez, os preparativos para esperar sua chegada, a falta que me fez o Kikinho, nossa mudança de cidade e de casa, e tudo o que se alterou nesse período. Foram os nove meses mais longos da minha vida e os mais produtivos. Tanta coisa aconteceu nesse período e tudo se transformou tanto para que chegássemos, finalmente, a este momento.

O medo do parto que me acompanhou desde o princípio àquela altura já não era tão grande. Senti que estava pronta e torci para sentir as contrações mais fortes, para ver logo a carinha do meu filhinho. É incrível como nessa hora bate uma tranquilidade, uma serenidade grande. Não imaginei que lidaria com esse momento assim. Não tirei o sorriso do rosto. Eu curtia as contrações (deve ser porque não doeu muito né?), adorava estar em trabalho de parto.

No exame, o médico percebeu que eu tinha tudo para parir, menos dilatação. O bebê estava muito alto, o canal longo e estreito, nada de abertura. "Você pode esperar até umas 20 horas e não evoluir", disse o doutor, ressaltando que a perda de líquido poderia comprometer a saúde do bebê. Quem sou eu a esta altura do campeonato para contrariar um médico? Por mim, esperaria mais um pouco. Por ele, entrava já na fila do centro cirúrgico...



Cesária

E foi como o obstetra quis. E ele tinha razão. Meu filhote estava tão alto que para sair de dentro de mim o anestesista teve de empurrar e fazer muita força (dá pra ver no vídeo) de cima para baixo. Joãozinho não desceu e a dilatação não aconteceu. Poderia ter sido um parto muito traumático se esperássemos pelo natural.

Fui internada de imediato. Na hora de ver o quarto, confusão. Meu plano é enfermaria e optamos por contratar o quarto privativo e pagar a diferença. Mas aí vem o procedimento... a equipe médica também cobraria à parte se eu fizesse essa manobra. R$ 2,5 mil a mais - sacanagem! Ninguém avisou isso antes. E as contrações aumentando, eu sentada na portaria do hospital e João fervendo de nervoso do meu lado. Foi muito tenso e poderia ter passado sem isso. Optamos por dividir o leito com outra gestante. No fim foi divertido, embora desconfortável. A Angela e o Marcelo, de Carambeí, tiveram também um piazão. E bota piazão nisso: Rafael nasceu com mais de quatro quilos. Convivemos pelos próximos dois dias e aprendemos uma com a outra naquele quarto 315 da tal Ala VIP (que não tem nada de VIP) do Anna Fiorillo.

Camisolão aberto nas costas

Familiagem correndo pelo hospital
Pai corajoso que só


Me prepararam para o parto, colocaram o acesso e fiquei lá, com toda a familiagem na expectativa. Ali já estava a família todinha do João, minha mãe, meus irmãos, cunhadas, o pai... Enfim... maior agito pelos corredores. E eu fazendo folia na cadeira de rodas, zombando da linda camisolona azul que deixava meu traseiro de fora e esperando ansiosamente (mais que nunca) pela liberação do centro cirúrgico.

Dez horas da manhã... a enfermeira me levou para o centro de obstetrícia e atrás dela toda a minha turma, numa correria de fórmula um. Sentimentos fortes. Emoção, expectativa, tremedeira e até frio naquela manhã ensolarada e quente (fora do normal) de outono. João ficou do lado de fora. E eu fui para uma sala grande onde enfermeiras entravam e saíam, atendiam telefone e convesavam como se eu não existisse. Eu estava de frente para a sala onde um senhor era submetido a um procedimento cirúrgico, aguardando o trabalho acabar ali para ser a próxima. Meu médico estava na sala ao lado, todo vestido de azul, touquinha, sapatilha e coisa e tal. Acho que levou meia hora para eu entrar. Pareceu uma eternidade. Senti muito frio, mas a tremedeira era de nervosa mesmo. E a imagem de Nossa Senhora do Bom Parto me olhando.


O paciente saiu, a equipe deixou a sala e entrou o pessoal da limpeza. O anestesista Marcelo, um japinha muito querido, veio conversar comigo. Explicou como seria o procedimento e foi muito bacana o tempo todo. Super atencioso, carinhoso, como deveriam ser todos os médicos. Eu queria João ali e pedi para chamarem. Pedi duas vezes. Enfim ele veio.

Chegou a nossa vez! Coração disparado, sorriso no rosto, uma última contração sentada na mesa de parto enquanto o Dr. Marcelo aplicava a peridural. Meninas... não dói!!! Eu morria de medo dessa parte do processo, quando a gente senta, se inclina e o médico aplica numa agulhona na coluna a anestesia. No máximo um pequeno desconforto. Menor que a de um acesso comum. Ele ia explicando tudo, passo a passo e aos poucos senti as pernas aquecerem, formigarem e sumirem, até não sentir mais.

A auxiliar oriantava o João a ficar em tal lugar para filmar melhor. Ele estava com uma câmera pequena para filmar e a fotográfica grande em mãos. Estava meio catatônico também. Nem conseguia responder que não queria ir pro fronte de guerra e preferia ficar lá no cantinho, atrás dos panos... Eu é que contei pra enfermeira que ele tinha medo de ver. E lá ele ficou, no cantinho, tremendo, com medo e ansioso também, ao alcance da minha vista. Filmou como deu, fez poucas fotos, mas registrou os instantes mais felizes das nossas vidas!

Quase...


Atrás do pano azul, meu único contato era com o anestesista e de longe com João. Eu sentia a equipe mexendo em mim e tinha dor apenas no braço direito por conta do aparelho de aferir a pressão, que inflava de minuto em minuto e estava muito apertado. Chegou a deixar hematomas. Com os braços abertos ao estilo Jesus Cristo na mesa em cruz, com as mãos amarradas, eu era monitorada o tempo todo. O médico aferia meu pulso e eu ouvia os batimentos cardíacos pela máquina. Muito acelerado. Perguntei se era assim mesmo. O anestesista respondeu que era efeito da anestesia. Mas de tão emocionada que estava, poderia ser até efeito do sentimento. Eu chorei o tempo todo, mas sorri o tempo todo também.



A equipe conversava coisas aleatórias, como qual seria a próxima cirurgia e o que estava agendado para a semana que vem. Avisei que queria saber a nota de Apgar do meu filho e a enfermeira aproveitou para perguntar ao médico o que a sigla significava. Eu ouvia tudo e ao mesmo tempo, me mantinha longe, concentrada em mandar as melhores energias do mundo para meu filhinho.

Um celular tocou várias vezes e a música era lindíssima, aumentando ainda mais a minha emoção. 'É isso aí' da Ana Carolina com Seu Jorge. Foi inevitável sentir um aperto ainda maior no peito ao ouvir, prestes a olhar pela primeira vez para meu filho, o refrão... "Eu não sei parar de te olhar, não vou parar de te olhar, eu não me canso de olhar... É isso aí, para quem acredita em milagres".

O exato momento: 10h40 de 2/4/2012 nasce João Augusto com 2.950 kg e 47 cm
 
Até que o obstetra pediu ao anestesista para empurrar. Me dei conta de que seria agora. Nó na garganta, lágrimas, vontade de chorar alto, emoção demais. "Ele está nascendo doutor?". "Já está chegando". Às 10h40 da manhã mais linda de toda a minha vida, saiu de dentro de mim o meu maior amor, com 47 centímetros e 2.950 kg. Ouvi seu choro e solucei chorando junto. Ouvi a enfermeira dizer que ele já fez xixi e ri olhando pro João, pensando que meu filhinho mal saltou para fora e já aprontou! Desde então ele faz xixi na mamãe em todo banho e em toda troca de fralda. É sua marquinha registrada.


Ouvi eles levarem meu filho para a limpeza, chamaram o João e eu fiquei, feliz da vida e curiosa para vê-lo. Não demorou nada. Segui seu chorinho com o ouvido e finalmente senti ele se aproximando. Me desprendi da mesa, mesmo sem saber se podia. E então eu pude ver de pertinho aquela carinha linda, com aquele bocão aberto, aos berros. Meu filhinho enrolado numa toalha branca, com um pouquinho de sangue no cabelão farto e preto. Meu príncipe de olhos abertos, narizinho e olhinhos pequenos, as bochechonas e as mãozonas, o pé chatinho... Muito mais lindo do que eu poderia imaginar. Com a voz embargada falei com ele e coloquei logo a mão na sua cabecinha.

Bem-vindo meu amor!
Que você seja muito, muito, muito feliz!

Nunca vou me esquecer do que eu disse a ele. Nunca vou esquecer que ele parou de chorar para me ouvir. "Oi meu amor. É a mamãe. Bem-vindo João Augusto! Bem-vindo ao mundo. Que Deus te abençoe meu filho. Que você seja muito, muito, muito feliz! Que tenha uma vida iluminada, cheia de saúde e muita paz. Eu te amo muito meu filho. A mamãe te ama".

"Parece que ele entendeu tudo o que você falou", disse a enfermeira que segurava ele. E meu filhinho foi-se mais uma vez. Liberei o papai enquanto o procedimento de sutura era feito. Falei pro João ir dar a notícia à família e cuidar do nosso bebê, que foi colocado na roupinha e na encubadora para não perder calor. A cirurgia ainda levou mais uns dez minutos e depois de toda essa emoção, sofri um bocadinho. Mas não foi nada, comparado à imensa alegria que senti ali, naquela sala gelada.

Nada se compara...
Não sei parar de te olhar...


Parto com dor

Essa história de que cesariana é parto sem dor nunca me convenceu e agora, definitivamente, não cola mais. Doeu muito. Antes de doer, foi incômoda pra caramba. Ainda na mesa de cirurgia, depois que levaram o Joãozinho, passei muito mal. Tive ânsia de vômito que provocou falta de ar e tremedeira. Um tremendo mal estar enquanto o médico colava as três camadas do corte. Colocaram a cumbuquinha do lado do meu rosto e o máximo que consegui foi cuspir saliva. Eu estava em jejum desde a noite anterior e felizmente não havia o que vomitar. Mas foi tenso e demorou a passar.

Depois, recuperada dessa etapa, veio a pior parte. Não que eu queira reclamar e fazer drama, mas desde sempre relatei tudo aqui e essa situação não vai passar batida. Nas primeiras horas não senti dor alguma, mas assim que a anestesia passou, como doeu! Foi super difícil amamentar as primeiras vezes, deitada, sem posição que desse certo. Como não podia levantar a cabeça, mal eu podia enxergar meu bebê direito. Um monte de visita no quarto e eu esgualepada lá, deitada sem poder me mexer, com enormes olheiras na cara, suando, sentindo muito calor e com a danada da camisola azul (totalmente inadequada para amamentar) que só pude trocar na manhã do dia seguinte. 

Os pontos doeram muito e hoje, 15 dias depois, ainda doem. Enquanto minha companheira de quarto passou a madrugada sentada na cama tentando amamentar, levantando e andando faceira, eu mal conseguia me mexer. Doía de verdade. E a única medicação foi paracetamol. Não fui medicada com anti-inflamatório nem nada mais. Apenas paracetamol por uma semana. Insisi e ganhei uma dose de luftal. Minha barriga, que a esta altura parecia de seis meses, inflou e os gases são terríveis para causar dor na cirurgia.

Mesmo com muita dor levantei cedo para tomar banho e a Rapha me ajudou. A enfermeira daquele plantão não estava muito de boa veia e deixou a desejar (as demais foram ótimas). Enfrentei as dores como pude, reclamei bastante e invejei a colega de quarto, que já tinha leite jorrando enquanto eu ainda estava seca e meu filhinho chorava desesperado. Foi tenso mais uma vez.

O segundo dia foi melhor, tive mais ânimo e me acostumei com a dor. Estava com pressa de vir embora, de sair logo daquele quarto quente, abafado e lotado. Tive alta e esperei pelo teste do pezinho. Saímos da maternidade emocionados. Passamos pela capela para agradecer. Me debulhei em lágrimas conversando com meu bambininho, contando a ele que estávamos começando nossa vida juntinhos fora dali, naquele instante.

Primeiros registros


Segundo dia de vida

Pezinhos chatos - puxou ao pai!

Mãos grandes, dedos de pianista...
Soninho constante
Yeeessss!


A amamentação


O desespero tomou conta desta mãe de primeira viagem no primeiro dia. Meia hora depois que fui levada ao quarto, meu filho foi para meus braços. Felizmente não demoraram para me entregar ele. Mal encostou em mim e já estava fazendo biquinho. Coloquei no peito, meio desajeitada já que não podia me levantar, sequer me mexer, e ele sugou. Minhas mamas não tinham bico, não tinham leite... Mas ele sugou. A enfermeira veio ensinar como fazer, ajudou meu bezerrinho a abocanhar o mamilo ainda sem a estrutura necessária para a saída do leite. E ele sugou, sugou, sugou... Nada de leite.

Agora vai...
Minha sogra a minha cunhada tentavam ajudar, ao lado, e rezavam para o leite vir. Aí então surgiram umas gotinhas de um líquido transparente. O colostro. Joãozinho se esbaldou (como deu). E não passou disso. Passou a tarde, chegou a noite e ele sugava sem parar e sem sentir chegar o tão desejado suquinho do bebê. Meus peitos doíam muito. Os mamilos estavam machucados e lá pelas tantas a única coisa que saía era um pouquinho de sangue.


 



É meus amigos... Amamentar é lindo, uma delícia, um sentimento divino. Foi o que senti nos primeiros minutos e três dias depois, quando o leite veio com força. Nesse intervalo, foi sofrido. Física e psicologicamente. Enquanto o enorme Rafael, filho do casal que estava ao lado, mamava feito um leitãozinho, meu Joãozinho chorava e pedia pelo leite que não vinha. De vez em quando, umas gotinhas. De madrugada, a choradeira foi tanta que o João levou ele até o berçário e pediu para a enfermeira nos ajudar. Voltou sem meu filho e aí quem chorou desesperada fui eu. Como assim deixar o bebê lá? Deram uma chuquinha pra ele, com certeza, e puseram pra dormir. "Para a mãe descansar".

Eu não queria descansar, queria meu pequeno ali, sugando como fosse. Mas eles tinham razão. O bebê tem reserva para suportar até 48 horas sem mamar e eu estava esgotada. Não tinha dormido na noite anterior, tinha vivido as mais fortes emoções da vida naquele dia e estava ainda adrenalinada pelas novidades. Precisava descansar ou ou leite não desceria. Me devolveram meu tesouro as seis da manhã, bem calminho. Sugou e saíram mais algumas gotinhas.


Aos poucos o leite foi aparecendo, mas não deixei de chorar quando o médico veio me ver. Foi mais um dia de muitas visitas e de tentar relaxar, suportar as dores. Ficou bem mais fácil com nosso bebê ao lado, calminho. E finalmente o leite desceu. Não parou de descer nunca mais e agora preciso esgotar as mamas para não andar por aí azeda de tanto leite. Ufa!



Saindo da maternidade
Go home!

Aí então finalmente viemos para casa. Tudo é emocionante. Ainda mais para uma mãe tomada por hormônios enfurecidos. Estou vivendo meu Blues Puerperal e choro mesmo. Choro por qualquer coisa. Chorei quando ele teve dor de barriga, quando o umbiguinho ficou por um fio e inflamou e choro por qualquer coisa que me digam, de bom ou de ruim.

O pai tem tido paciência e ainda está um pouco inseguro. Ele já fez de tudo: trocou fraldas, segurou no banho, ninou pra dormir e no final de semana levanta comigo de madrugada para amamentar e me faz companhia. Mas ainda pega no colo com um pouquinho de medo, com um super cuidado. Aos poucos vai se soltando.

Pegando o jeito

Estes 15 primeiros dias foram de muitas visitas e ontem pela primeira vez passei o dia sozinha com o bebê. Aproveitei para dormir à tarde. Não apareci por aqui antes por conta disso... Ser mãe toma muito tempo e nos primeiros dias a casa fica cheia. Agora estamos tentando estabelecer uma rotina. Nosso picolino é muito calminho, dorme a maior parte do tempo e funciona como um reloginho quando a casa está mais silenciosa. Acorda a cada três horas, mama 20 minutos em cada peito, troco as fraldas e ele dorme de novo. À noite, mama grandão (por mais tempo) até a meia-noite, acorda as três e as sete. Ou seja... é um docinho!


Perdi 10 kg até aqui e tenho lutado contra a fome, que é gigantesca. Meninas, vocês saberão o que é sentir fome de verdade quando produzirem leite. Nem na gestação eu era tão faminta. Digo que tenho lutado porque quase tudo faz mal pro bebê. Tento evitar doces, frutas ácidas, leite, comidas fortes e temperadas mesmo o médico tendo orientado a comer de tudo. Não dá. A gente se sente culpada. Se eu comer um pedaço de pudim agora, quando meu filhinho chorar de dor de barriga me sentirei péssima.

Aos poucos estou me adaptando à nova vida, conhecendo meu filho e ele me conhecendo. Para mim é o bebê mais lindo do universo, mais querido, mais fofo, mais cheiroso. Mais tudo!!! É um anjinho e faz minha vida ter sentido! É o grande amor do papai e da mamãe.


Meu filho tem seu 'momento delícia' do dia

Bem queridas e queridos... Já fui longe para este post (escrevi em quatro etapas, porque né... rerere) e pretendo voltar com maior frequência para trazer fotos e novidades (acontece tanta coisa todo dia). Preciso passar dicas para as futuras mamães sobre coisinhas super práticas que ajudam muito na amamentação, banho (ele ama!) e trocas de fraldas. Quero falar sobre as vacinas e a primeira consultinha do nosso baby, sobre a dieta, a funcionalidade da cinta e ainda relatar as aventuras do meu Joãozinho que já cresceu bastantão e está cada dia mais lindo. Então, beijo e até as próximas!

Manu - a mãe mais feliz do mundo!



A música que escolhi para este videozinho do seu nascimento, meu filho, é especial. Chama-se No Frontiers e é do The Corrs. Tem na letra algumas palavras que dedico a você, meu grande amor:

Sem Fronteiras

Se a vida for um rio
E seu coração um barco
E simplesmente como a água querida,
Nascida para flutuar,
E se a vida for um vento que sopra
Forte em seu caminho,
E seu coração for Amelia
Ansiando voar.

O medo perderá sua força,
E o paraíso tem seu caminho,
Quando todos nos harmonizaremos
E você souber o que há em nossos corações,
O sonho se realizará

O Paraíso não conhece fronteiras
E eu vi o Paraíso nos seus olhos



 





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