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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Adeus, minha Clarinha!


Estou há quase um mês sem escrever aqui, por falta de tempo mesmo. Natal, ano novo, férias do marido e meu computador desligado. Apesar de ter mil novidades sobre o Joãozinho para contar, o post de hoje não pode ser sobre outra coisa senão a história de amor que vivi com uma anjinha de quatro patas que infelizmente partiu cedo demais, neste dia 31 de dezembro. À minha Clarinha dedico aqui algumas linhas, embora nada seja suficiente para retribuir tudo o que fez de bom em minha vida.

Eu pretendia levar a Clara para Tibagi na casa dos avós do João para a virada de ano, mas lá já estariam outros três cãezinhos nem sempre muito amigáveis e achei melhor deixá-la em Castro, na casa da minha mãe, onde ela viveu por bastante tempo. Que mal teria? Lá tem bastante espaço e até o rio Iapó que ela tanto gostava. Além disso, já era acostumada ao lugar e sabia se comportar no pátio e lidar com o movimento de carros por ali. Nunca me passou pela cabeça que algo tão horrível fosse acontecer.

Foram seis anos de convivência. Apenas. Clarinha morreu cedo demais e ainda é difícil me acostumar com o silêncio que ficou aqui em casa. Ela foi atropelada dentro do pátio da casa da mãe. Eu não estava lá. Não sei dizer bem como foi. Mas certamente sofreu muito. Meu primo deu a ré para sair do estacionamento e minha cachorrinha foi atingida. Foi grave.

Chegou a ser socorrida pela mesma veterinária que há quatro meses fez sua cirurgia de remoção do útero. Agonizou por algumas horas e teve uma hemorragia. Só fiquei sabendo dois dias depois, no ano novo, quando iria passar pegá-la de volta pra casa. 

Não foi fácil quando perdi o Kiko, em janeiro do ano passado, e desta vez foi bastante difícil também. Além da saudade, fica um sentimento de culpa por ter deixado ela, por estar distante no momento em que mais precisou de mim e por todas as vezes que não a tratei com a prioridade que merecia. Mas agora já foi. Minha filhotinha foi enterrada pertinho do rio onde tantas vezes se divertiu. Deve ter se encontrado com seu irmãozinho Kiko lá no céu dos cachorrinhos.  

Nosso primeiro contato

Clara dos Anjos Vesce Wisnievski nasceu em 19 de abril de 2006. Três dias antes do dia mais triste da minha vida. Nunca falei sobre isso aqui, mas a história da Clarinha está ligada a um dos fatos mais marcantes da minha história... Naquele abril, eu fiquei viúva e ganhei a Clara para me ajudar a enfrentar a solidão e a dor da perda do meu marido, Newton, num acidente de carro. A cachorrinha foi o presente maravilhoso da Mirian, então cunhada, minha grande amiga com quem ainda hoje tenho a honra de contar como se fôssemos irmãs. O sobrenome Vesce veio da Mimi, a madrinha, primeira também a saber da morte da Clarinha. Sentimos novamente juntas mais esta perda.   

Ainda no criadouro, em Curitiba

Obrigada Mimi, pelo presente lindo
Ela ainda era uma bolinha de pelos branquinhos quando fomos visitá-la no criadouro em Curitiba. Quarenta dias depois, veio parar em meus braços naquele apezinho de paredes azuis onde eu vivia em Mafra (SC). O plano era deixá-la na caminha dela, com jornal para as necessidades, água e ração. Mas já na primeira noite ela acabou indo esquentar minha orelha no travesseiro. Eu estava carente. Ela também

Meu cobertor de orelhas



Clarinha foi minha grande companheira naquelas dias difíceis. Me fez rir e enfrentar a dor com muito mais coragem. Me lembrou o quanto o amor de um bichinho de estimação é forte e genuíno, livre de maldade e de egoísmo. Enquanto crescia e aprendia alguns comandinhos, me trazia esperança de que dias melhores viriam. E vieram. 

Em 2012, depois de passados os três primeiros meses de sufoco com o bebê em casa, resolvi trazer a Clara para morar comigo novamente. Ela estava na mãe desde março, quando nos mudamos de Tibagi pra Ponta Grossa. Por conta das inúmeras mudanças de casa e de cidade, ela morou junto do Kikinho um bom tempo lá. Agora era hora de retomar nosso convívio direto. Ela chegou abatida por conta da cirurgia, mas logo ficou forte e bonita, com sua pelagem linda crescendo e formando novamente a saia de cocker. 

Nunca tive receio de deixá-la perto do Joãozinho porque sabia do quanto seria importante pra ele. E ela permitia que ele puxasse suas orelhas, arrancasse seus lacinhos e até subisse nela. Ele adorava. Não perdia ela de vista e fazia a maior festa quando ela corria em torno dele para pegar os brinquedinhos que eu jogava. Foram seus últimos meses de vida e tivemos, felizmente, uma despedida digna, mesmo sem saber. 

Se a gente soubesse quando as pessoas queridas e nossos animaizinhos amados vão partir, seria tudo bem diferente né? Está certo Renato Russo quando diz que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", mas quem realmente faz isso? Não pude afagar aquele cabelinho loiro no momento de sua partida, mas jamais esquecerei de seu olhar meigo e tristonho, que comovia. 
Com o Bubu


Apesar do olhar, Clarinha foi uma cachorrinha alto astral, super animada. Inicialmente animada até demais. Assim como o Kiko, ela roeu tudo o que tinha direito e principalmente o que não tinha direito. Os pés das cadeiras, minhas havaianas, sapatos, cintos, piranhas de cabelo, roupas e até a fronha do travesseiro. Num "dia de ira", destruiu todas as almofadas das cadeiras, fez xixi nas cortinas e um buraco enorme no sofá. A Sissa, minha amiga, deve se lembrar disso. Foi ela quem encontrou e arrumou a bagunça... rerere. Eu fui a um retiro espiritual e pela primeira vez ela passou uma noite todinha sozinha. Bastou para que tentasse destruir nosso apê. 




Passada essa fase, dona Clara tornou-se mãe. Já tinha um ano da morte do New, resolvi voltar a viver em Castro. Ela pegou cria do Kiko e teve cinco lindos cockerzinhos. Um dia memorável porque eu quase desmaiei. kkk. Meu pai gritou na sacada de casa que a Clara estava parindo e os cachorrinhos iriam morrer. Levantei num supetão e a pressão caiu. Caí também. rarara. 

Depois catamos os filhotinhos um a um e colocamos no forno (!) para aquecer, pois ela estava abandonando os bebês e eles perderam calor. Tive de entrar no ninho e deitar com os cachorrinhos para que ela então entendesse o que se passava. Acho que minha Clara estava desesperada, sem saber o que acontecia. Depois disso teve outras três crias e sempre foi uma mãe cuidadosa. 

Na praia, com frio e tudo


Eu a mimava tanto que cheguei a dar-lhe apelido em russo baseado num romance que li. Clarushka Katienca era seu nome para os íntimos, rere. Polaquinha da mamãe, era uma das formas de tratamento mais usuais. Ela entendia e atendia. Obedecia aos comandos de sentar, dar a patinha, ficar, sair, fora e amavaaaaa a palavra "passear". Era uma euforia só. Como todo cachorrinho que se preze, ficava atenta às portas de carros abertas porque não perdia uma oportunidade de dar uma volta com a cabeçona na janela e as orelhas ao vento.

No início, cada viagem era uma epopeia. Eu precisava parar várias vezes porque a bebezona vomitava, tadinha. Depois se acostumou e tornou-se uma boa companheira de viagem. Ia pra toda parte comigo, inclusive pra praia. Estava junto quando encontramos uma baleia encalhada (das de verdade) em São Francisco do Sul. Ficou tão entusiasmada que queria entrar no mar. 

Nos últimos dias de vida do Kiko, ela o animou
Certa vez caiu da sacada e a sorte é que morávamos no segundo andar. Saí correndo em desespero mas a encontrei subindo a escada, mancando, com o narizinho sangrando, mas sã e salva. Noutra ocasião, ficou 15 dias presa em casa por conta do cio e num descuido ela pulou a janela e pegou cria... de cachorro de rua. Pegou doença venérea também e teve de passar por cirurgia para a remoção de um tumor. Pecado. 

Tinha pavor de contagem regressiva. Se estava teimando pra sair de algum lugar, eu começava com um cinco, quatro, três e no dois ela já tava lá fora. Foi uma das minhas táticas de adestramento, rerere. Mas sabia ser teimosa também. Fingia que tinha saído, ficava escondida atrás de alguma coisa e pé por pé voltava para seus cantinhos favoritos. Ai se a gente desse bobeira com comida na mesa. Seu último furto foi do prato de papinha de beterraba do João e antes disso ela surrupiou quatro cupcakes. Só encontrei as forminhas lá fora. 

Odiava fogos de artifício, claro, e tinha medo de chuva. Era persistente e passava horas arranhando a porta para se abrigar, se fosse preciso.

Amava água. E era atração na Prainha, em Castro, quando se jogava do trapiche no rio para buscar as varetas que a gente jogava. Buscou "pedla" que meu sobrinho Hike jogou milhares de vezes e me impressionava por não apenas nadar, mas mergulhar a cabeça toda em busca dos tesouros escondidos na lama. 

No final da minha gestação, ela me acompanhava nos banhos de arroio em Tibagi no final do dia. De tanto se molhar, teve sérias crises de otite que agora estavam sanadas. Também ficou com um hálito horrível e precisou de mais um procedimento cirúrgico neste final de ano para limpeza dos dentes. Tava cheirosa, por fim, e eu escovava sua boca todo dia. 


No Rio Tibagi
Nos últimos tempos, ela representava vários compromissos em minha rotina. Até aplicar injeções debaixo do couro eu aprendi no processo de recuperação da cirurgia. Toda tarde íamos no terreno baldio aqui pertinho pra ela brincar no mato. Não gostava do pessoal da coleta de lixo e latia que parecia uma leoa feroz defendendo o território. Apesar de nunca ter mordido ninguém antes, deu uma beliscada na perna da funcionária do mercadinho que veio me ajudar com as compras. Talvez porque agora ela protegia o Joãozinho também. 



Clara era companheira, Clara era filha, Clara era amiga, Clara era solidariedade. Sei que Deus a colocou em minha vida para ajudar a me levantar no momento difícil, junto de muitas pessoas maravilhosas que conheci naquele ano triste. Clara foi meu anjinho peludo, dedicada, meiga, peralta... Eu estava muito feliz por ter trazido ela de volta pra pertinho de mim e principalmente pelo convívio dela com meu Joãozinho. É uma pena que essa amizade dos dois tenha sido interrompida. 

Depois de chorar a perda da minha pequena, decidi que não quero mais cachorro. Guardei suas cobertinhas, remédios, coleira e ração na casinha que estão ali atrás e por mim já teria doado tudo. Meu marido, que adotou Kiko e Clara como filhos dele, também sente a falta deles mas é mais otimista e quer outro filhotinho correndo pela casa, um dia. João cuidou bem dos meus pimpolhos, dava carinho pra Clara e ajudava a mimá-la. Merece ter mais uma chance sim. Mas por enquanto, não. Foi triste e emocionante me despedir do pessoal do pet shop que vinha toda sexta para buscar a Clara. O tempo há de ajudar...

Minha Clarinha amada deixa saudades imensas! Ficam para sempre o amor e tudo o que com ela aprendi! Obrigada, Pai do Céu, pela oportunidade de tê-la entre nós. 



Mamãe sempre te amou, filhota!

Música do vídeo:

Vida De Cachorro
Os Mutantes

Vamos embora companheiro, vamos
Eles estão por fora do que eu sinto por você

Me dê sua pata peluda, vamos passear
Sentindo o cheiro da rua

Me lamba o rosto, meu querido, lamba
E diga que também você me ama

Eu quero ver seu rabo abanando
Vamos ficar sem coleira

Vamos ter cinco lindos cachorrinhos
Até que a morte nos separe, meu amor!

18 comentários:

  1. Nossa, Emanoelle! Chorei lendo seu post! É tão incrível o amor que nossos cãezinhos têm pela gente e o amor que temos por eles! É quase inexplicável! São como filhos! Imagino a sua dor! Espero que passe logo e que os momentos bons que tenham vivido ganhem espaço na sua memória. Um beijo grande para vcs!

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    1. Ah certo que sim Julia... Tanta coisa boa pra lembrar né? Obrigada pela visita. Fui lá no seu também. Beijinho.

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  2. Amada mana. Impossível não me emocionar com tantas lembranças... Lembranças boas e nem tão boas. O que eu posso te dizer?
    Vai passar. Sabemos que vai. Mas isso não suaviza tua dor. Vc é um presente de Deus na minha vida.
    Estou triste junto com vc.
    Te amo. Bjs

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  3. Nossa, estou arrepiada!! Sua Clarinha era irmã gêmea do meu Snoopy, que faleceu em novembro, com 12 anos! Também fiquei muito triste, mas infelizmente foi melhor pra ele...
    E amo essa música dos Mutantes, tinha uma montagem no falecido Orkut com fotos dele e com essa música!
    Abração em vc!
    Rose.
    http://www.vidademaejestade.com.br/

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    1. Que amor... vida longa aos nossos próximos cockers amiga. Beijo

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  4. Nem preciso falar que chorei né? Eu sei o quanto é grande e verdadeiro um amor assim, toda dor a gente sabe que o tempo ameniza, mas não se sinta culpada, eu sempre penso que era destino, que tinha que acontecer, por isso que você a deixou.
    Beijos Ca
    http://confissoesdeumajovemmae.blogspot.com.br/

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  5. Ai Manu, que triste!
    Nem posso imaginar a dor de perder uma companheira assim!
    Não se sinta culpada não, pensa que ela veio com a missão de afastar a sua tristeza e ficar triste por ela é estragar a missão dela, certo?
    Ela vai estar sempre no seu coração assim como vc sempre esteve no dela!
    Fica bem, tá?

    bjo!

    Loreta #amigacomenta;)
    @bagagemdemae

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  6. Nem preciso dizer o quanto me emocionei!Incrivel como esses bichinhos fazem a diferença na nossa vida,um companheirismo sem igual e principalmente quando mais precisamos.
    Acredito que agora ela está bem, em algum lugar de paz!
    beijos
    #amigacomenta

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    1. Fazem mesmo, muita diferença na vida da gente. São anjinhos. Obrigada do carinho flor. Beijo

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  7. Manu....tenho um Bart...igualzinhoooooo a sua Clarinha...e estou aqui me debulhando em lagrimas e abraçando ele....e o Marvin que é pretinho....tive que abraçar os dois forte demais depois de ler sua história ........fique bem.....e essa anjinha de 4 patas brilhe no céu.....um beijo e duas lambidas daqui....

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    1. Abrace muitooooo. E aproveite cada baguncinha deles. Beijo flor.

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  8. Ainn q triste! Já tive muitos cachorros, e sei exatamente o q sente, perdi um dos meus cachorros assim tb, e fiquei muito mal, nos apegamos tanto né? Sinto falta dele e lembro dele com muito carinho.
    #amigacomenta
    Nique;)

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    1. Ô se fazem falta. Clarinha até hoje me faz muita falta. Beijo flor. Obrigada pelo carinho.

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  9. Manu!
    Não tenho palavras, linda historia da Clarinha.
    beijosss fica com Deus
    Lu

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    1. Lu... graças a Deus a dor já foi. Ficou a saudade, beijo.

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