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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Alergia à Proteína de Leite de Vaca (APLV): a luta de Ísis e Karla

Esta é a Ísis, gatinha amada da tia Manu
Queridas e queridos que me frequentam... Hoje abri as portas deste espacinho meu que tanto amo para uma amiga super especial que tem uma informações importantes a compartilhar. A Karla Fontela é de Brasília (DF) e nos conhecemos justamento aqui, no blog, quando a Ísis ainda tinha uns dois meses de vida. Ela estava desesperada com tanto choro da sua pequenina e pediu ajuda por comentário num post sobre as cólicas de Joãozinho - um dos textos mais visitados, acho que muitas mães sofrem como nós. 

Mas a Karla sofreu bem mais, minha gente. Ísis tem Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), uma doença que judia bastante da criança e que requer cuidados muito especiais de quem dela cuida. É diferente de intolerância à lactose e por isso é importante que toda mãe saiba um pouco sobre isso para ajudar num diagnóstico precoce. Saiba mais sobre APLV.

Bem, desde então venho acompanhando esta batalha dela e de sua filhinha. Nos tornamos muito próximas, apesar de nunca termos nos visto. Nos falamos praticamente todos os dias por mensagem de celular. Trocamos fotos de nossos bebês e sinto a Ísis como se fosse da minha família. Tem dias que acho que sinto até o cheirinho dela. Vibrei com a Karla em cada passo de evolução e muitas vezes tentei consolar minha amiga "virtual" quando o desespero batia. Ela também sempre me ajuda nas minhas neuras, assim como outras queridas amigas com quem mantenho contato da mesma forma (uma felicidade que o blog me proporciona). 

Daí que agora que está tudo mais calmo e Ísis está com cinco meses, a Karla aceitou meu convite e escreveu sobre sua batalha diária contra a alergia. Fico imensamente feliz em apresentá-la a vocês, a seguir. Um beijo e boa leitura. Garanto que você vai se emocionar. 

***


A luta de Ísis contra a APLV

Karla Fontela


Fui convidada pela minha querida amiga Manu para contar a historia da minha princesa Ísis, explicando como descobrimos a APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) e o que passamos antes e depois do diagnóstico.

Bom, a Ísis nasceu no dia 08 de agosto de 2012, medindo 47 cm e pesando 2.850 kg. No primeiro mês não houve muito choro, mas eu tinha em casa um bebê extremamente incomodado. Só queria ficar no colo, não aceitava deitar na cama, no berço, no carrinho ou bebê conforto. Emitia muitos sons durante o sono da noite, mamava a cada hora e engasgava muito. Além disso, teve dermatite em todo o lado esquerdo do rosto. A ferida ficou muito feia e demorou para melhorar (Descobrimos depois que era dermatite. Até então o pediatra classificava como brotoeja).

A partir do segundo mês começaram os choros freqüentes e intermináveis. A Ísis se espremia demais, soltava muitos gases, evacuava nove vezes por dia, tinha muito muco nas fezes, refluxo, não dormia de dia e era muito irritada. Os choros duravam horas e nada acalmava aquela criança. Recordo-me de, inúmeras vezes, caminhar pela casa com minha filha chorando no meu colo e chorar compulsivamente junto com ela.

Eu e meu marido não sabíamos mais o que fazer para amenizar o sofrimento do nosso pequeno bebê. O pediatra dizia ser refluxo e depois cólicas. Dizia que ela era uma criança sensível e por isso sentia mais dor. Eu sinceramente não conseguia acreditar que uma criança poderia sofrer tanto só por conta das temidas cólicas, mas tive que aceitar o parecer daquele profissional que cuidava da minha filha naquele momento. 

Ainda no segundo mês, a Ísis passou a apresentar feridas pelo corpo. Eram muitas feridas nas pernas, braços, barrigas e costas. Ao mostrar para o pediatra foi constatada a dermatite atópica e o possível diagnóstico de APLV. Eu passei a fazer uma dieta restritiva (leite, derivados, traços, carne, soja, carne porco, peixe e frutos do mar) e passamos a observar se ocorria a melhora. Nessa altura do campeonato a Ísis já estava brigando feio com o peito. Eu tinha muito leite e ela não aguentava o jato forte. Engasgava, engolia atravessado, chorava e se jogava pra trás. Mamava um minuto e parava. Eu esvaziava o peito, mas não adiantava. Chegamos ai ao diagnóstico da laringomalácia (a laringe não é totalmente desenvolvida e isso dificulta a sucção e deglutição)

Chegamos ao terceiro mês e a Ísis estava apresentando um crescimento abaixo da média e baixo ganho de peso. Ela sugava pouco e eu já não tinha tanto leite como antes. Os choros ainda eram freqüentes e a irritabilidade permanecia. No entanto, com a dieta, tivemos melhoras na dermatite, um pouco do choro e melhora total do refluxo. O pediatra passou um antialérgico que melhorou o apetite e o sono da Ísis, mas ela ainda chorava muito ao mamar. Parecia sentir fome. 

Procuramos uma gastropediatra, apresentamos os sintomas e tivemos a confirmação do diagnóstico de APLV. Uma nova dieta me foi passada e a informação de que qualquer melhora nos sintomas só viria depois de 4 a 8 semanas. Oi? O que? Ainda vou ter que ver minha filha gritar de dor por 2 meses? Sim! Foi isso mesmo. Com a continuação da dieta a Ísis melhorou um pouco mais, mas continuava mamando pouco, ganhando pouco peso, muito irritada e pasmem, ainda não sorria. Percebemos que um pouco do choro agora se devia a fome, já que a pequena conseguia sugar e engolir pouco leite.

Com quase quatro meses voltamos a gastropediatra e informamos a situação. Ela, apesar de incentivar muito a amamentação, viu que não estava dando certo e nos passou o leite NEOCATE. Esse leite custa R$ 230,00 a lata que dá para dois dias e meio. Começamos então a luta para conseguir o leite pelo governo. 

Graças a Deus deu certo e a Ísis terá direito ao leitinho dela até os 3 anos de idade. No entanto, apesar de esperar por melhoras imediatas, nos víamos diante de uma nova etapa a ser enfrentada: a adaptação ao leite NEOCATE. O leite é muito ruim e a aceitação é demorada, dá muitos gases e resseca as fezes. Ademais, o grande desafio seria facilitar a saída do leite com a mamadeira, mas sem que a Ísis se engasgasse tanto. 

Ela começou tomando 60 ml com muito custo, dando muitas vezes na colher, com choro e cara feia. Tentamos a todo custo que ela tomasse os 180 ml a cada 3 horas como indicado para a idade dela, mas era impossível, ela não tomava. Depois de muita luta resolvemos deixar da forma que o apetite dela pedia: 100 ml a cada 3 horas (24h). Sim, a Ísis nunca dormiu um noite inteira e acho que não vai dormir tão cedo. Tem um sono agitado e sente forme.


Finalmente chegamos ao 5º mês. Um mês em que a Ísis não chorava mais, dormia muito, tomava o leite sem dar muito trabalho e engordou 1 kg só com o NEOCATE. Finalmente tínhamos chegado à temporada de paz e tranqüilidade. Eu pude curtir mais a minha filha, sair na rua e ter a tranqüilidade de que ela estava sendo bem alimentada.

A tendência é que ela crie resistência à alergia e possa comer de tudo futuramente. Um bebê alérgico é mais irritadinho do que os outros, mas atualmente minha bebê tem esbanjado saúde, está mamando 120 ml a cada 3 horas, está comendo frutinhas, papinhas salgadas, se desenvolvendo cada vez mais e distribuindo muitos sorrisos.
O fardo foi grande, chorei muito durante os três primeiros meses, me vi dias e dias trancada em um quarto escuro tentando fazer minha filha parar de chorar e dormir; dei inúmeras mamadeiras com ela dormindo no colo; dei leite na colher, na seringa; ninei muito; perdi muito a paciência; pedi muito a Deus por melhoras. No entanto, agradeço a Deus todos os dias a filha maravilhosa que ele me deu. Ela é minha vida, minha alegria, meu amor.

A dica que dou para todas as mamães é: não achem que tudo é normal. Cólicas são normais 3 horas por dia, 3 vezes por semana e durante 3 meses. Bebês que mamam no peito evacuam um pouco mais, mas 9 vezes por dia não é normal. Muito choro é sinal de que algo está errado e o apelo do seu filho deve sempre ser levado sempre em consideração. Eles são indefesos e precisam de nossa proteção.

Um beijo, Karla.

Karla e Ísis: finalmente a melhora

***

E eu, Manu, falei que você ia gostar de conhecer essas princesas. São apaixonantes né? Sempre disse à Karla que nossos bebês escolheram onde nascer e a Ísis escolheu ela porque sabia que a missão seria difícil. Esta linda criatura tem paciência de Jó, um marido compreensivo e amoroso e um lar onde foi possível ajudar esta preciosidade que é a Ísis. 

Obrigada Karlinha, por partilhar comigo esta sua batalha. Espero que possamos nos conhecer de pertinho em breve e tenho certeza de que terei tua amizade pra sempre. Joãozinho e Ísis ainda vão brincar muito juntinhos. Beijo, querida. Felicidades! Que Deus continue abençoando sua família. Manu

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nove meses: Cadê meu tempo? A era do "menino zen" acabou!


Tem taaaaaaaaaanto tempo que não piso aqui que nem sei por onde começar a contar todas as novidades. Talvez pelo fato de que meu filho já tem quase dez meses e está totalmente mudado... É, vou por este caminho então... Amiga querida desta aventura chamada maternagem... Lembra daquele menino tranquilo, sereno, que dormia sozinho, que não chorava e que eu chamei de "zen" neste post aqui? Informo que não existe mais! Agora, quem mora aqui em casa é um menino "zen sono", "zen preguiça", "zen parada"! E uma mãe quase "zem paciência" e totalmente "zen tempo". kkkkkkkkk

Isso explica minha ausência, em partes. A festarada do final de ano e um agito total nestas férias, com várias viagens, também justificam meu sumiço. Morri de saudades de escrever, de contar cada coisinha nova que este fofo está aprontando, e como está aprontando! Mas simplesmente não sobra tempo pra nada porque o danado engatou uma quinta marcha e vem pisando fundo no acelerador das descobertas. Ah, e continua agarradíssimo a mim, até grudinho demais. Ando cansadona, preciso admitir. Mas também ando orgulhosa dos feitos que meu Joãozinho vem apresentando todo dia.

E ele diz: tatáááuuu

Mais uma vez me pego surpresa com a força da natureza e a perfeição da vida. Independentemente de alguém ensinar, meu pequeno está aprendendo a fazer todas aquelas fofurinhas típicas dos bebês desta fase. Ele agora dá tchauzinho, bate com a palma da mão direita na minha pra fazer "yeeees", responde "não-não" com a cabecinha, bate palminhas pra tudo, aponta o dedinho indicador quando digo que ele vai fazer "um aninho", remexe o corpinho quando canto aquelas belíssimas canções clássicas como "gatinho assanhado, cê tá querendo o quê?", faz um beicinho lindo mostrando a língua e enrugando o nariz pra uma fungada de brabeza (é um sarro), fala dá-dá-dás intermináveis, estala a língua, e grita de alegria e de irritadinho.

Outras fortes emoções tive neste mês quando deu um turbo na engatinhada. Agora é velocidade cinco para chegar da sala até a gaveta da cozinha em dez segundos. Ele faz do caminho um circuito de atividades. Sai da caixa de brinquedos, entra debaixo da mesa pra por o dedo na tomada (todas devidamente tampadas), passa pelo armário da cozinha de onde retira as esteiras de mesa e joga no chão, chega à gaveta da pia e espalha os panos de prato, vai até a lixeira de recicláveis e revira tudo, segue para a lavanderia onde vai tentar escalar os baldes, cadeiras e pegar as formiguinhas do chão. Resumindo... ele representa PERIGO CONSTANTE!

Aí você já entende porque preciso ficar o tempo todo olhando pra ele. Dia desses entrou no quarto, fechou a porta e ficou apavorado. Do lado de fora tive de abrir muito lentamente e ir tirando ele de trás, pra não se machucar. Ou seja, das coisas mais banais ele faz uma aventura cheia de desafios. Deixo que bagunce tudo e já providenciei de erguer da estante da sala e dos armários as coisas que possam machucá-lo, arrumei gavetas com objetos que possam virar brinquedos, como potinhos, mas é preciso ficar em cima para socorrê-lo quando prende a mãozinha na gaveta ou quando fica em pé segurando a porta do armário e ela abre.

Ele agora é um escalador de móveis e pernas

Ah, essa técnica também é novidade: ele escala tudo e fica em pé o tempo todo. Outro dia coloquei ele pra dormir no colchão ao lado da minha cama. Acha? Ficava em pé em dois segundos na madrugada puxando meu cabelo pra eu levá-lo à cama. Se agarra, se estica, faz uma força danada e fica na pontinha dos pés pedindo colo. No começo, caía e chorava. Agora aprendeu a se sentar para não cair e fica de joelhos antes de firmar os pés.

Outra emoção: já sabe caminhar. Apoiado à mesinha de atividades, a uma cadeira ou no sofá, anda pra um lado e pra outro. Adora passear de mãos dadas com a gente e haja dor na lombar da mamãe. No berço não para um segundo sequer. Por isso desenvolvi uma técnica ninja pra trocar fraldas nele em pé, quando não consigo seduzi-lo com algum brinquedo novo enquanto troco, do tipo, minha escova de cabelos. Mas aí é preciso ser muito rápida porque o interesse dele pelos objetos dura pouco tempo. Ele quer novidade toda hora. Ama câmeras e celulares e já sabe passar o dedinho na tela. Adora apertar o botão que desliga meu computador, por conta da luzinha. Se racha de rir e faz a gente gargalhar ao ver qualquer pessoa dançando. Fez uma festa danada de ver o pai dele treinando uns golpes de taekwondo.

A descoberta do papel higiênico

Me derreto de amor vendo ele se virar sozinho, subir na caixa de brinquedos e retirar tudo de lá esparramando pelo tapete da sala. A decoração da minha casa agora tá super colorida e tem dias que é difícil de andar por aqui de tanto brinquedo espalhado. Sem contar que no banheiro a cesta de lixo e o papel higiênico foram pro alto, os tapetes estão guardados e tudo, aos poucos, vai sendo adaptado pra que ele mexa à vontade.

Quer saber o pior? Ele a-do-ra o ralo do banheiro. Aquele mesmo, o branquinho cheio de orifícios pra onde vai a água suja do nosso banho. Ecaaaa. Outro dia encontrou a porta aberta, embalou na rastejada (parece o homem-aranha subindo prédio, só que na horizontal) e entrou debaixo da banheira, se molhou todo, tirou a tampa do ralo e enfiou o bracinho lá dentro. Que nojo!!!

Peguei no flagra

Os banhos também são mais tumultuados. Dá uma suadeira. Mas ele trata de me refrescar batendo as mãozinhas na água exaustivamente até me molhar toda. A parte mais difícil é quando se agarra às laterais da banheira e coloca a cabecinha pra fora pra olhar pra baixo, tentando se jogar pra alcançar a mangueirinha do chuveiro.

Agora deixa eu contar a maior: fiquei "toda-toda" na primeira vez que chorou dizendo "mã-mã-mã". Pensei: "Esse cara sou eu. Ele tá me chamando". kkkkk. Agora virou comum. Ele conversa o tempo todo e faz uma voz fininha pros brinquedinhos, como quem está cantando. Às vezes fala grosso e forte, grita alto e mostra que será dono de um vozeirão. Mas quando me quere: "mã-mã-mã". =) Já posso dizer que esta é a primeira palavrinha dele? Posso? Diz que sim, vai! \o/ #todascomemora

Se por um lado meu filho tá uma coisa linda de viver, sorridente, curioso, divertido, brincalhão e amoroso, por outro vem mostrando seu lado manhoso e birrento. Boa parte é culpa minha, que acostumei ele grudadinho a mim, inclusive com a história do peito pra dormir. Sempre foi uma praticidade. Ele começava a esfregar as mãos nos olhinhos, eu tirava o peito e o menino dormia em cinco minutos. Agora ele me faz de bico e fica 40 minutos mamando pra dormir. Se tento tirar, esperneia e não dorme de jeito nenhum. Levo ele pé-por-pé ao berço e quando encosta no colchão, abre os olhos e berra. Lá vamos nós pro peito de novo. Ele literalmente me suga as energias e o tempo. Sei que preciso acabar com essa "bardinha", mas como? E quando? Vou deixando pra depois na esperança de que ele resolva sozinho fechar os olhinhos e dormir sem mim, rerere. Quem mandou não dar atenção pras dicas do baby center sobre "como colocar o bebê no berço ainda acordado"?

Vai no colo de todo mundo e se diverte com qualquer coisa, mas se me perde de vista por algum tempo já faz uma manha e se me enxerga, para de brincar e começa a gemer. É tanto "hummmmm hummmm hummmm" que cansa. Muitas vezes armo uma pista de brinquedos no chão pra ele passar um tempinho distraído enquanto sento pra ver meus e-mails e raramente consigo. Ele levanta e vem se dependurar em mim pedindo colo. Chora de jorrar lágrimas e eu pego, claro. Aí fica batendo no teclado, na tela e em tudo o que alcançar com qualquer parte do corpo. Mete chute valendo. Agora, por increça que parível, está dormindo. Mas este post vai precisar de uns três dias pra entrar no ar. uahauhau.

Primeiro banho no Rio Tibagi
Primeiro banho de mar

Nestes quase dois meses, saímos da rotina diretão e isso não colabora com a vida da mamãe. Viajamos muito e foi delicioso vê-lo eufórico nas águas do Rio Tibagi pela primeira vez e também no mar. Assim como a água, ele amou a areia e ficaria morando debaixo de um coqueiro sem reclamar. Meu filhote cresceu bastante nesse tempo e agora tem mais de dez quilos e 74 centímetros (tamanho que poderia ter ao fazer um ano) de pura gostosura que eu adoro beijar, apertar e mordiscar.

E acho que o sapeca tá aprendendo a fazer o mesmo. Continua mordendo meu nariz e arrancando meu cabelo, mas agora tá especialista em morder meus braços e canelas. Chego a ter hematomas dos dois dentinhos afiados dele. Obviamente que mordeu meus peitos várias vezes, mas nos últimos dias parece ter entendido meus gritos de dor. uahauhau.
Papá sempre vai bem...
Continua comendo super bem, com direito a iogurtinho desde a última consulta. Tomou vacina contra varicela, que anda dando muito, e teve de ser na rede particular porque não está no calendário do SUS. Achei absurdo de caro (R$ 152), mas é melhor prevenir. Não tomou a da febre amarela, prevista na carteirinha, pois dá muita reação, até dez dias de febre, e não é doença comum em nossa região.

Ainda acorda várias vezes à noite e já nem sei quantas, porque na segunda vez que levanto, levo pra minha cama e lá ficamos rolando com os peitos à disposição até as oito da manhã, quando ele me acorda na base de chutes e arranhões, mas com um sorriso lindo no rosto que me faz amar a vida, o céu, os pássaros e até o caminhão da coca-cola que resolve estacionar ao lado da minha janela para descarregar no mercadinho logo cedo, com todo o seu barulho.

Ser feliz é isso aí!
Quanto a mim, além de cansada e super atarefada, ando tentando conseguir o tal emprego. Várias oportunidades apareceram, mas o difícil é encontrar algo que renda o bastante para compensar pagar escolinha e empregada (e sobrar pelo menos um pouco pra mim né?) e que tenha horários flexíveis. Na minha área é coisa difícil mesmo #jornalistaganhamal. Mas pra que reclamar? A boa nova é que o João meu marido deve ser exonerado do trabalho lá em Curitiba e assumir uma função aqui em Ponta Grossa. Embora nossa renda mensal venha a cair consideravelmente, será ótimo ter o pai em casa, mais pertinho. Assim espero.

Continuo no taekwondo - o que pra mim é uma conquista, pois nunca passei de um mês na academia. Uhuuul! E mesmo assim continuo gordeeeenha, rererere, mas estou mais disposta e animada pra enfrentar o dia a dia com meu furacãozinho cheio de energia. Tem horas que eu quero sair correndo, tenho vontade de ligar pro homem do saco vir buscá-lo (ainda bem que não tenho o número dele, rara), fico P da vida por não poder contar com o pai dele do jeito como gostaríamos, mas em um minuto tudo passa e volto a sentir aquele amor enorme pelo meu gordinho lindo, fico completamente apaixonada e emotiva. E assim caminha a manu-maternidade. Igualzinha a todas as mães né?


Dica do dia


Aplicativo da Pampers: fofo!

Volto em breve, se Deus quiser, pra falar das nossas viagens e do que aprendi sobre arrumar as malas (preciso de um caminhão urgente, rarara), pra falar sobre os preparativos da festinha de um ano e também pra mostrar as fotos das mil aventuras dele neste período, inclusive da formatura do papai que é nesta semana, mas por hoje deixo uma sugestão pras mães de bebês que também adoram celulares. A Pampers criou um aplicativo pra smartphone que são joguinhos apropriados pros nenéns. Joãozinho adora e é uma mão na roda quando preciso distraí-lo no carro, por exemplo. Basta procurar por Pampers Premium Care (ou clique aqui para conhecer) na sua loja de aplicativos. É grátis, super colorido, com musiquinhas e seis opções de joguinhos fofos.


E você, tem outros apps legais? Compartilhe comigo! E me conte também as novidades, diga se teu baby também ficou "zen parada", dê dicas de brincadeiras legais... enfim! Comenta aí! Um beijo e até loguinho (se der tempo).



A intenção era terminar este post com um videozinho mostrando as peripécias de Joãozinho nos dois meses, mas vai levar muito tempo pra editar e o fofuxo está aqui puxando minha roupa e tentando desligar o micro. Fico devendo (pra mim mesma) o vídeo. Lá vou eu...

Manu

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Adeus, minha Clarinha!


Estou há quase um mês sem escrever aqui, por falta de tempo mesmo. Natal, ano novo, férias do marido e meu computador desligado. Apesar de ter mil novidades sobre o Joãozinho para contar, o post de hoje não pode ser sobre outra coisa senão a história de amor que vivi com uma anjinha de quatro patas que infelizmente partiu cedo demais, neste dia 31 de dezembro. À minha Clarinha dedico aqui algumas linhas, embora nada seja suficiente para retribuir tudo o que fez de bom em minha vida.

Eu pretendia levar a Clara para Tibagi na casa dos avós do João para a virada de ano, mas lá já estariam outros três cãezinhos nem sempre muito amigáveis e achei melhor deixá-la em Castro, na casa da minha mãe, onde ela viveu por bastante tempo. Que mal teria? Lá tem bastante espaço e até o rio Iapó que ela tanto gostava. Além disso, já era acostumada ao lugar e sabia se comportar no pátio e lidar com o movimento de carros por ali. Nunca me passou pela cabeça que algo tão horrível fosse acontecer.

Foram seis anos de convivência. Apenas. Clarinha morreu cedo demais e ainda é difícil me acostumar com o silêncio que ficou aqui em casa. Ela foi atropelada dentro do pátio da casa da mãe. Eu não estava lá. Não sei dizer bem como foi. Mas certamente sofreu muito. Meu primo deu a ré para sair do estacionamento e minha cachorrinha foi atingida. Foi grave.

Chegou a ser socorrida pela mesma veterinária que há quatro meses fez sua cirurgia de remoção do útero. Agonizou por algumas horas e teve uma hemorragia. Só fiquei sabendo dois dias depois, no ano novo, quando iria passar pegá-la de volta pra casa. 

Não foi fácil quando perdi o Kiko, em janeiro do ano passado, e desta vez foi bastante difícil também. Além da saudade, fica um sentimento de culpa por ter deixado ela, por estar distante no momento em que mais precisou de mim e por todas as vezes que não a tratei com a prioridade que merecia. Mas agora já foi. Minha filhotinha foi enterrada pertinho do rio onde tantas vezes se divertiu. Deve ter se encontrado com seu irmãozinho Kiko lá no céu dos cachorrinhos.  

Nosso primeiro contato

Clara dos Anjos Vesce Wisnievski nasceu em 19 de abril de 2006. Três dias antes do dia mais triste da minha vida. Nunca falei sobre isso aqui, mas a história da Clarinha está ligada a um dos fatos mais marcantes da minha história... Naquele abril, eu fiquei viúva e ganhei a Clara para me ajudar a enfrentar a solidão e a dor da perda do meu marido, Newton, num acidente de carro. A cachorrinha foi o presente maravilhoso da Mirian, então cunhada, minha grande amiga com quem ainda hoje tenho a honra de contar como se fôssemos irmãs. O sobrenome Vesce veio da Mimi, a madrinha, primeira também a saber da morte da Clarinha. Sentimos novamente juntas mais esta perda.   

Ainda no criadouro, em Curitiba

Obrigada Mimi, pelo presente lindo
Ela ainda era uma bolinha de pelos branquinhos quando fomos visitá-la no criadouro em Curitiba. Quarenta dias depois, veio parar em meus braços naquele apezinho de paredes azuis onde eu vivia em Mafra (SC). O plano era deixá-la na caminha dela, com jornal para as necessidades, água e ração. Mas já na primeira noite ela acabou indo esquentar minha orelha no travesseiro. Eu estava carente. Ela também

Meu cobertor de orelhas



Clarinha foi minha grande companheira naquelas dias difíceis. Me fez rir e enfrentar a dor com muito mais coragem. Me lembrou o quanto o amor de um bichinho de estimação é forte e genuíno, livre de maldade e de egoísmo. Enquanto crescia e aprendia alguns comandinhos, me trazia esperança de que dias melhores viriam. E vieram. 

Em 2012, depois de passados os três primeiros meses de sufoco com o bebê em casa, resolvi trazer a Clara para morar comigo novamente. Ela estava na mãe desde março, quando nos mudamos de Tibagi pra Ponta Grossa. Por conta das inúmeras mudanças de casa e de cidade, ela morou junto do Kikinho um bom tempo lá. Agora era hora de retomar nosso convívio direto. Ela chegou abatida por conta da cirurgia, mas logo ficou forte e bonita, com sua pelagem linda crescendo e formando novamente a saia de cocker. 

Nunca tive receio de deixá-la perto do Joãozinho porque sabia do quanto seria importante pra ele. E ela permitia que ele puxasse suas orelhas, arrancasse seus lacinhos e até subisse nela. Ele adorava. Não perdia ela de vista e fazia a maior festa quando ela corria em torno dele para pegar os brinquedinhos que eu jogava. Foram seus últimos meses de vida e tivemos, felizmente, uma despedida digna, mesmo sem saber. 

Se a gente soubesse quando as pessoas queridas e nossos animaizinhos amados vão partir, seria tudo bem diferente né? Está certo Renato Russo quando diz que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", mas quem realmente faz isso? Não pude afagar aquele cabelinho loiro no momento de sua partida, mas jamais esquecerei de seu olhar meigo e tristonho, que comovia. 
Com o Bubu


Apesar do olhar, Clarinha foi uma cachorrinha alto astral, super animada. Inicialmente animada até demais. Assim como o Kiko, ela roeu tudo o que tinha direito e principalmente o que não tinha direito. Os pés das cadeiras, minhas havaianas, sapatos, cintos, piranhas de cabelo, roupas e até a fronha do travesseiro. Num "dia de ira", destruiu todas as almofadas das cadeiras, fez xixi nas cortinas e um buraco enorme no sofá. A Sissa, minha amiga, deve se lembrar disso. Foi ela quem encontrou e arrumou a bagunça... rerere. Eu fui a um retiro espiritual e pela primeira vez ela passou uma noite todinha sozinha. Bastou para que tentasse destruir nosso apê. 




Passada essa fase, dona Clara tornou-se mãe. Já tinha um ano da morte do New, resolvi voltar a viver em Castro. Ela pegou cria do Kiko e teve cinco lindos cockerzinhos. Um dia memorável porque eu quase desmaiei. kkk. Meu pai gritou na sacada de casa que a Clara estava parindo e os cachorrinhos iriam morrer. Levantei num supetão e a pressão caiu. Caí também. rarara. 

Depois catamos os filhotinhos um a um e colocamos no forno (!) para aquecer, pois ela estava abandonando os bebês e eles perderam calor. Tive de entrar no ninho e deitar com os cachorrinhos para que ela então entendesse o que se passava. Acho que minha Clara estava desesperada, sem saber o que acontecia. Depois disso teve outras três crias e sempre foi uma mãe cuidadosa. 

Na praia, com frio e tudo


Eu a mimava tanto que cheguei a dar-lhe apelido em russo baseado num romance que li. Clarushka Katienca era seu nome para os íntimos, rere. Polaquinha da mamãe, era uma das formas de tratamento mais usuais. Ela entendia e atendia. Obedecia aos comandos de sentar, dar a patinha, ficar, sair, fora e amavaaaaa a palavra "passear". Era uma euforia só. Como todo cachorrinho que se preze, ficava atenta às portas de carros abertas porque não perdia uma oportunidade de dar uma volta com a cabeçona na janela e as orelhas ao vento.

No início, cada viagem era uma epopeia. Eu precisava parar várias vezes porque a bebezona vomitava, tadinha. Depois se acostumou e tornou-se uma boa companheira de viagem. Ia pra toda parte comigo, inclusive pra praia. Estava junto quando encontramos uma baleia encalhada (das de verdade) em São Francisco do Sul. Ficou tão entusiasmada que queria entrar no mar. 

Nos últimos dias de vida do Kiko, ela o animou
Certa vez caiu da sacada e a sorte é que morávamos no segundo andar. Saí correndo em desespero mas a encontrei subindo a escada, mancando, com o narizinho sangrando, mas sã e salva. Noutra ocasião, ficou 15 dias presa em casa por conta do cio e num descuido ela pulou a janela e pegou cria... de cachorro de rua. Pegou doença venérea também e teve de passar por cirurgia para a remoção de um tumor. Pecado. 

Tinha pavor de contagem regressiva. Se estava teimando pra sair de algum lugar, eu começava com um cinco, quatro, três e no dois ela já tava lá fora. Foi uma das minhas táticas de adestramento, rerere. Mas sabia ser teimosa também. Fingia que tinha saído, ficava escondida atrás de alguma coisa e pé por pé voltava para seus cantinhos favoritos. Ai se a gente desse bobeira com comida na mesa. Seu último furto foi do prato de papinha de beterraba do João e antes disso ela surrupiou quatro cupcakes. Só encontrei as forminhas lá fora. 

Odiava fogos de artifício, claro, e tinha medo de chuva. Era persistente e passava horas arranhando a porta para se abrigar, se fosse preciso.

Amava água. E era atração na Prainha, em Castro, quando se jogava do trapiche no rio para buscar as varetas que a gente jogava. Buscou "pedla" que meu sobrinho Hike jogou milhares de vezes e me impressionava por não apenas nadar, mas mergulhar a cabeça toda em busca dos tesouros escondidos na lama. 

No final da minha gestação, ela me acompanhava nos banhos de arroio em Tibagi no final do dia. De tanto se molhar, teve sérias crises de otite que agora estavam sanadas. Também ficou com um hálito horrível e precisou de mais um procedimento cirúrgico neste final de ano para limpeza dos dentes. Tava cheirosa, por fim, e eu escovava sua boca todo dia. 


No Rio Tibagi
Nos últimos tempos, ela representava vários compromissos em minha rotina. Até aplicar injeções debaixo do couro eu aprendi no processo de recuperação da cirurgia. Toda tarde íamos no terreno baldio aqui pertinho pra ela brincar no mato. Não gostava do pessoal da coleta de lixo e latia que parecia uma leoa feroz defendendo o território. Apesar de nunca ter mordido ninguém antes, deu uma beliscada na perna da funcionária do mercadinho que veio me ajudar com as compras. Talvez porque agora ela protegia o Joãozinho também. 



Clara era companheira, Clara era filha, Clara era amiga, Clara era solidariedade. Sei que Deus a colocou em minha vida para ajudar a me levantar no momento difícil, junto de muitas pessoas maravilhosas que conheci naquele ano triste. Clara foi meu anjinho peludo, dedicada, meiga, peralta... Eu estava muito feliz por ter trazido ela de volta pra pertinho de mim e principalmente pelo convívio dela com meu Joãozinho. É uma pena que essa amizade dos dois tenha sido interrompida. 

Depois de chorar a perda da minha pequena, decidi que não quero mais cachorro. Guardei suas cobertinhas, remédios, coleira e ração na casinha que estão ali atrás e por mim já teria doado tudo. Meu marido, que adotou Kiko e Clara como filhos dele, também sente a falta deles mas é mais otimista e quer outro filhotinho correndo pela casa, um dia. João cuidou bem dos meus pimpolhos, dava carinho pra Clara e ajudava a mimá-la. Merece ter mais uma chance sim. Mas por enquanto, não. Foi triste e emocionante me despedir do pessoal do pet shop que vinha toda sexta para buscar a Clara. O tempo há de ajudar...

Minha Clarinha amada deixa saudades imensas! Ficam para sempre o amor e tudo o que com ela aprendi! Obrigada, Pai do Céu, pela oportunidade de tê-la entre nós. 



Mamãe sempre te amou, filhota!

Música do vídeo:

Vida De Cachorro
Os Mutantes

Vamos embora companheiro, vamos
Eles estão por fora do que eu sinto por você

Me dê sua pata peluda, vamos passear
Sentindo o cheiro da rua

Me lamba o rosto, meu querido, lamba
E diga que também você me ama

Eu quero ver seu rabo abanando
Vamos ficar sem coleira

Vamos ter cinco lindos cachorrinhos
Até que a morte nos separe, meu amor!
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