Páginas

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

De volta ao trabalho: o desafio de conciliar maternidade e carreira profissional

E ainda conheci o Bozo, gente!!! :-)
Workaholic... Era eu antes de receber da vida meu maior presente e também a maior responsabilidade de todas: ter um bebê. Eu era do tipo que vivia para trabalhar, até na hora de dormir estava conectada, mandando e-mails, verificando pautas e pensando em todas as atividades que me aguardavam no dia seguinte. Amo minha profissão e já perambulei por quase todas as áreas do jornalismo nos últimos 14 anos. Sempre dei muita sorte e tive excelentes experiências. Faltava a TV. Agora, quase dois anos depois de parir Joãozinho, estou novamente na área, com expediente a cumprir e muitos desafios. O maior de todos é conciliar a carreira, num meio totalmente diferente para mim, com esta linda missão, ser mãe!

Comecei aos poucos, quando João tinha um ano e meio, no ano passado. Fui experimentar a docência, como professora da faculdade de Jornalismo da Secal e, obviamente, me apaixonei por ela também. O bebê foi para a escolinha e pude pegar uns free-lancers no período da tarde. Fiz uma editoria do Jornal Página Um por um tempo, depois abri minha própria microempresa... Arranjei freelas como assessora de imprensa do Núcleo Setorial de Tecnologia da Informação e de lá fui convidada para dar consultoria de marketing numa empresa do ramo. A consultoria trago até agora, uma vez por semana. Das aulas, entrei em férias e então surgiu a oportunidade de conhecer o mundo do jornalismo televisivo.

Na Prefeitura de PG

Joãozinho correu para os braços da vovó Sônia, enquanto eu me aventurava com o microfone da Rede Massa / TV Guará (SBT) nas mãos. Tudo tão diferente de todas as coisas que já fiz... Comecei cobrindo férias da repórter do programa Destaque, um matinal feminino bem bacana, onde pude abordar coisinhas que fazem parte da minha rotina, como comportamento, beleza, moda, maternidade. Adorei! Ainda sem jeito, sem saber direito como fazer, estou aprendendo na rua, com os cinegrafistas gente-boa que me conduzem, com uma equipe tão legal que até impressiona. Sempre tive companheiros de trabalho maravilhosos, mas aqui conheci uma redação todinha de pessoas que ajudam, integram e me fazem sentir em casa.


Parte da equipe muuuuuito querida que conheci


Meu dia de cozinheira no programa Destaque

Com Giselle Alonso, uma das apresentadoras do Destaque

Ponto alto foi quando participei ao vivo do Destaque fazendo a culinária do dia. Divertido demaaaaais! Deu um friozão na barriga. Ao vivo é o bicho. Mas rolou legal. Fiz meu caça-marido (kkk), uma torta de frango. Foi super hiper! Outra coisa joia é conhecer outras cidades da região, como as cachoeiras de Prudentópolis, o museu de Irati, a praça de Guarapuava, os cafés de Witmarsun... Sem falar na estrutura maravilhosa do SBT aqui em Ponta Grossa. Um prédio novo, lindo, com equipamentos modernos, microfone sem fio, câmera de última geração, carro novo, estúdios enormes e lindos. Uma delícia de trabalhar.

Essa cachoeira tem mais de 80 metros de altura

O namoro com a TV começou bem antes, naquela época em que tentei voltar a trabalhar, quando João tinha só dez meses, e desisti para poder ficar mais um tempo em casa com ele. Uma amiga querida, a Aline Rios, com quem trabalhei antes no jornal, me indicou para a reportagem. Na época, recusei. Mas tive uma segunda chance e abracei com entusiasmo. Era para ser só dezembro. Janeiro já está acabando e ainda estou aqui, agora cobrindo férias no Tribuna da Massa. Fico até final de fevereiro e, se Deus quiser, haverá alguma possibilidade de permanecer. Se não der, valeu a pena ê ê.

Nesse tempinho de TV, tive a chance de desconstruir vários preconceitos que tinha. Confesso que telejornalismo não foi minha disciplina favorita na faculdade... Levei de qualquer jeito, enquanto focava no impresso, nas assessorias e em rádio. Sempre achei que televisão era meio fake. Vi repórteres mexendo na cena, ensaiando com entrevistado, tratando tudo superficialmente. Pensava que aquilo não era a realidade como ela é. Até que empunhei o microfone e percebi quanto trabalho sério é realizado em frente e atrás das câmeras.

Todos os dias lembro do conselho de uma grande amiga: "não vai queimar o filme, Manu". E tento fazer o melhor possível em cada pauta, que geralmente são de serviço, denúncia e mostrando a situação de pessoas que, ao terem suas angústias ignoradas pelo poder público, apelam para a imprensa para conseguir um pouquinho de dignidade onde vivem.

Tenho tido contato com todo tipo de miséria, ruas esburacadas, bairros sem infraestrutura, pessoas desesperadas por não terem onde morar. É um mergulho de fôlego na realidade cruel de quem vive à margem da cidadania, cerceado de seus direitos básicos... E é aqui, na TV, o lugar que todo mundo acha que está cheio de glamour, que encontrei ainda mais sentido para seguir em minha profissão.

Em Prudentópolis

Tem maquiagem, cabelo chapeado, roupinha bonitinha e unha feita todo dia? Tem. Mas tem sol rachando na cuca, incêndio em residência, acidente na rodovia, morro pra descer, barro pra pisar, esgoto a céu aberto para mostrar. Tem gente que quase perdeu a filha alérgica porque o chocolate dizia ser sem leite e não era. O glamour tá só nos olhos de quem vê de casa. Na rotina do repórter, tem é correria (que eu adoro), comprometimento, suor (nunca na vida passei tanto calor) e muita dedicação. Vou tentando vencer minha maior dificuldade: escrever pouco, contar tudo em dois minutos. E o povo da edição tem paciência, viu... rerere.

Estou adorando tudo isso e, aos 32 anos, depois de tantas aventuras diferentes nesta profissão, sinto que encontrei algo que me dá ainda mais prazer de fazer. E olha que relutei tanto para procurar emprego nesta área... Desde que entrei para a faculdade, em 1999, os parentes e amigos perguntam: "vai trabalhar na TV, né?". Sempre respondi que preferia outras áreas. Cedi. E não me arrependo.

No meio disso tudo, com três empregos, sinto que posso ser mãe e trabalhar fora. Mais que isso: reconheço que preciso trabalhar, porque isso também me faz feliz. Nem sempre é fácil dar beijinho, abraço e tchau-tchau na hora de sair. Tem dias que dá vontade de ficar em casa com ele, só brincando, dormindo abraçadinhos. Mas, no geral, tudo está dando certo.

Produtor rural, na simplicidade de seu quintal

Admito que bate sim um remorso de vez em quando, como quase toda mãe sente. Aquela sensação de que estou "abandonando" meu filhinho, meu amor, meu príncipe, para buscar minhas próprias satisfações pessoais, pega. Pega sim! Mas aí lembro das coisas boas que estamos conseguindo com a renda a mais, como a reforma da casa, um quartinho lindo só pra ele, e da sensação de que estou de volta ao mundo.

Para compensar, passo todas as manhãs só com ele. Se antes a limpeza da casa era uma obsessão, fazer almoço era prioridade, agora deixo a casa virada de ponta-cabeça e uso todo o tempo possível para brincar com ele, acompanhar seu aprendizado e dedicar todo o meu amor ao meu maior amor.

Tem funcionado e acredito que, apesar da canseira, de algum estresse, tudo isso vale a pena. É assim que tenho lidado com o medo de perder aqueles momentos em que ele aprende uma nova traquinagem. E o melhor de tudo: sei que ele está bem no colinho da vovó e que vai ficar bem também na escolinha quando as aulas voltarem.

Sigo confiante, portanto! De braços abertos para as oportunidades que surgirem e enfrentando a saudade do meu pequeno e o medo de não ser a mãe que ele merece. No fim, só posso agradecer a Deus pela oportunidade que tive de ficar integralmente com ele nos 18 primeiros meses e por me abrir tantas portas agora, quando decidi voltar.

Amor maior do mundo!

Um comentário:

  1. Olá
    Nem sei como cheguei aqui rs! Mas adorei seu blog li vaaarios posts esta uma graça! Parabens! Acabei de fazer um blog tambem, passa la, sempre bom ter opiniões rs!
    Ah te add la na lista de quem eu leio ok?!
    Bjo

    ResponderExcluir

Comenta aí que a mamãe fica faceira! E volte sempre, a casa é sua! :-) Ou me mande um e-mail: emanoellew@gmail.com

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...