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domingo, 23 de março de 2014

Grávida, de novo!




A notícia chegou como num plantão de Jornal Nacional, interrompendo a programação, emudecendo todos ao redor e provocando aquele impacto que leva algum tempo para ser absorvido. Para mim, é uma informação que muda a vida completa e definitivamente. Ainda agora, uma semana depois, estou aos poucos assimilando o que aconteceu. Estou grávida de novo!!!  Vamos ter mais um bebê.


Desta vez, tudo está bem diferente. Lembrei a emoção gigantesca e da alegria sem fim que me envolveram na primeira descoberta, há quase três anos... Agora, além de felicidade, claro, há muitos outros sentimentos envolvidos.


Primeiro a sensação de que fui irresponsável. Eu planejava ter mais um filho, mas imaginava isso pra daqui a dois anos, quando nosso Joãozinho teria quatro e entenderia a chegada de um irmão com mais facilidade... quando eu estaria estabilizada e com algum tempo de carreira de volta ao trabalho... quando o pai já seria um profissional autônomo, dono do próprio nariz.

Enfim, veio bem antes e sem planejar. Veio bem quando resolvi aceitar o trabalho como produtora na RPC TV, neste retorno gradativo e difícil que foi o meu ao mercado de trabalho. Deixei a Rede Massa numa semana, na outra comecei na Globo e na seguinte me descobri grávida. 

Claro que foi uma notícia difícil de dar àqueles que me receberam tão bem e que contavam comigo sem imaginar que daqui a oito meses ficarei por seis ausente. Mas contei logo de cara e tive o apoio de todos. Não é a melhor notícia que eu poderia dar a eles. 


"...ser novamente este meio em profunda transformação, com uma profusão de células agindo para que eu seja uma fabriquinha de gente..."


Tem a faculdade também. Tem minhas aulas e meus alunos. Tem o fato de que acabei de desmamar o Joãozinho... Uma certa preguicinha de pensar em “tudo outra vez”. Eu tinha imaginado um período de “descanso” agora que nosso bebê está mais independente. Umas viagens, curtir mais o marido, quem sabe sair à noite só nós dois? E eis que a vida me surpreende e me coloca esta enorme responsabilidade pela frente. 

Ao mesmo tempo, passo a mão na barriga e penso neste serzinho que ainda está entrando na quinta semana de existência... Imagino como é o momento em que, nesta semana, um saquinho gestacional se desenvolve e ganha um coraçãozinho. Ah, como eu queria saber qual é o exato instante em que ele começa a retumbar. Tum-tum, tum-tum, tum-tum... Até bater tão forte que num ultrassom faz lembrar um galopar de cavalos ou uma batucada de escola de samba.

Este momento já deve ter chegado, ou está prestes a acontecer. Fiz o primeiro ultra, na quarta. Ainda era apenas a bolsinha que antecede a formação da placenta. Um risquinho que dava início à formação do tubo neural. E semana que vem já vai ser um embriãozinho.

Muito antes disso, este filhinho, ou filhinha, é um espírito, uma vida que resolveu vir ao mundo através de mim e do meu marido, uma alma afim, que vai me transformar novamente numa mulher em seu estado mais completo – aquele em que ela gera outro ser.

Penso nele, ou nela, lá na frente da prateleirinha de mamães possíveis, apontando o dedo pra mim e dizendo: “é com ela que vou encarar mais esta viagem à Terra”! Que grande honra e que enorme bênção ser confiada por Deus para carregar em mim e depois ajudar a formar a personalidade de um ser humano.

São, como você vê, sensações contraditórias. Sentimentos ainda confusos... Medo de não dar conta de dois. Receio de não aguentar com a mensalidade da escolinha (acho que não vamos mesmo, rsrs). Um peso enorme da missão de educar... Uma alegria gigante por ser novamente este meio em profunda transformação, com uma profusão de células agindo para que eu seja uma fabriquinha de gente... A felicidade de saber que seremos uma família maior, como a que sempre sonhei.

Aos poucos, os sentimentos bons vão apagando os receios, as incertezas e até aquela vergonhazinha que dá, quando conto que fiz um filho sem planejar. Ondéquejáseviu? Uma mulher moderna e bem informada como eu, engravidar assim por acaso?

Nessas horas penso que este acaso é aquele momento que Deus resolveu impor seu desejo sobre o meu, porque sabe o que é melhor pra mim.  E concluo que somos extremamente férteis, eu e João! Rsrs.

Quando parei com a pílula para engravidar do Joãozinho, achei que demoraríamos uns meses para conseguir. Ele veio do primeiro óvulo disponível, no primeiro mês! Agora, eu estava tomando Cerazette, que é pílula para lactente. Parei com ela dez dias depois que Joãozinho desmamou, em janeiro. Resolvemos usar preservativo enquanto eu aguardava a consulta com a ginecologista, em março. E esta gestação aconteceu no primeiro óvulo disponível, mais uma vez, sem que tivéssemos ‘abusado’. Rsrsrs. Era ou não era pra ser?
Cinco semanas

Muitas sensações diferentes me tomaram nesta primeira semana de descoberta. Uma fome enorme, aquele sono, alergias na pele (como da primeira vez), inseguranças, correria em busca de uma consulta, exames, tonturinhas, um pouquinho de enjoo, sonhos malucos, mas uma certa tranquilidade, depois da aceitação. 

Sei que vai ser uma gravidez diferente, de menos ansiedade e mais experiência. O que não muda é um amor que começa a brotar e cresce todo dia, desde que meu filhinho passou pelo corredor que une nossos mundos e entrou aqui, dentro de mim. A sensação de que a vida vale mais a pena ainda, de que sou extremamente sortuda, de que estou novamente tendo a chance de viver com um milagre aqui dentro de mim. 

Passou a notícia do plantão, virou reportagem especial, documentário e agora estou prestes a viver com meu programinha diário sobre amor, saúde, conhecimento, entretenimento, variedades... felicidade, enfim!

Ninguém disse que vai ser fácil e que não vou enlouquecer (de novo) com tanto trabalho. Mas se é loucura, então melhor não ter razão! :-)
Seja bem-vindo(a), amor da mamãe!
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